segunda-feira, 14 de março de 2016

OTITE SEROSA: a causa mais frequente de surdez infantil

O seu filho revela atraso na fala? Pede para colocar o som da televisão mais alto? Tem falta de atenção nas aulas? Então... poderá ter otite serosa.
 
A otite serosa consiste na presença de líquido seroso/ mucoso por detrás do tímpano, nas cavidades do ouvido médio, sem que hajam sinais inflamatórios agudos (febre, dor).

Quais as causas?
  1. Disfunção da trompa de Eustáquio - A trompa de Eustáquio é uma formação tubular que comunica o ouvido médio com o aparelho respiratório e que tem como funções o equilíbrio das pressões entre os ouvidos médio e externo, limpeza das secreções e protecção do ouvido médio.
  2. Inflamação crónica da mucosa do ouvido médio em resposta à presença de uma ou várias bactérias.
  3. Episódios infeccioso agudos de repetição

Que outros factores predisponentes existem?
  • Aleitamento artificial
  • Aleitamento na posição deitada
  • Frequência do infantário
  • Pais fumadores
  • Família numerosa com irmãos doentes

Como se manifesta a otite serosa?
  • Sensação de plenitude nos ouvidos ("ouvido tapado").
  • Diminuição da audição (a criança com 18 meses de idade deve já pronunciar a sua primeira palavra).
  • Normalmente, a otite serosa não é acompanhada de febre ou dor. A criança poderá ter dor muito ligeira.

Qual é o tratamento para a otite serosa?
A criança deve ser encaminhada para uma consulta de Otorrinolaringologia onde realizará exames e terapêutica dirigida a possíveis situações desencadeantes da otite serosa, nomeadamente, alergias, infecções respiratórias de repetição, adenoidite crónica, etc. Consoante a situação clínica, poderá haver necessidade de efectuar algum procedimento cirúrgico.

Quais são as complicações da otite serosa?
A otite serosa pode evoluir para outras formas de otite crónica com repercussão na audição e estado geral do doente. Pode haver necessidade de cirurgias mais complexas, muitas vezes sem garantias de recuperação total das características normais do ouvido.

Atenção!
A otite serosa caracteriza-se por uma surdez de transmissão, que quando resolvida ocorre recuperação da audição. No entanto, a persistência da otite serosa não sujeita a tratamento pode evoluir para uma surdez definitiva, pela libertação de mediadores inflamatórios tóxicos para o ouvido.

sexta-feira, 11 de março de 2016

MANTENHA O CÉREBRO ACTIVO

O declínio da memória é um fenómeno natural. No entanto, existem estratégias que nos permitem jogar pela antecipação e contrariá-lo.
 
É um facto: a nossa performance cognitiva costuma ressentir-se com o passar dos anos. Mas, a boa notícia que lhe vamos dar é que existem variadas formas de contrariar esse fenómeno, estratégias simples que podemos pôr em prática desde cedo e que nos permitem manter o cérebro activo.

O que os estudos dizem
Um estilo saudável é um aliado que nos permite preservar as capacidades cerebrais e, inclusive, prevenir vários tipos de demência. Neste contexto, uma dieta equilibrada e variada, em que os vegetais e a fruta estejam presentes e que seja pobre em sal, gorduras saturadas e açúcar, promove o bom funcionamento do cérebro.
Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Neurology, que envolveu mais de 17 000 pessoas saudáveis cuja média de idades rondava os 64 anos, apurou que a dieta mediterrânica (rica em peixe, vegetais e azeite e pobre em gorduras saturadas) reduzia, em 19%, o risco de problemas de memória.

Poder antioxidante
Um estudo norte-americano verificou que um grupo de idosos com algumas perdas de memória que consumiu, ao longo de 60 dias, dois copos e meio de sumo de mirtilos por dia, demonstrou melhores resultados em testes de memória do que o grupo de idosos que não bebeu o sumo. Os mirtilos são uma fonte privilegiada de substâncias antioxidantes, as quais se crê exercerem um efeito protector em relação a determinadas patologias.
Os ácidos gordos ómega 3, que se encontram em abundância no salmão, sardinha ou nozes são também uma classe de antioxidantes que deve integrar nos seus menus.

Actividade física
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Proceedings of the National Academy of Sciences, praticar exercício físico contribui para o aumento do volume do hipocampo (zona cerebral que é a principal estimuladora da memória e cujo volume costuma diminuir com o avançar dos anos).
A actividade física é detentora, igualmente, da capacidade de atenuar o stress – que, por sua vez, quando manifesta de forma continuada, afecta a concentração, a memória e o rendimento intelectual. Aprender meditação ou fazer ioga ou pilates pode também ser uma solução eficaz para gerir o stress.

Estimular o cérebro
Nunca é demasiado tarde para estimular o cérebro e exercitá-lo diariamente pode fazer a diferença:
  • Aprenda uma língua ou arranje um novo hobbie;
  • Experimente actividades diferentes, faça puzzles ou torne-se um expert em palavras cruzadas, no jogo Scrabble ou no Sudoku;
  • Ouça música, aprenda a tocar um instrumento musical ou dance: qualquer uma destas actividades estimula o cérebro;
  • Ensine os outros. Esta é uma óptima forma de reter informação – tem de a saber suficientemente bem de modo a conseguir explicá-la eficientemente;
  • Esteja consciente do que se passa à sua volta: ouça o barulho da água enquanto toma banho ou saboreie o leite que bebe ao pequeno-almoço;
  • Diga piadas. Esta é uma excelente forma de desafiar o cérebro, tal como ensinar. O sentido de humor pode ter efeitos muito positivos na memória;
  • Em vez de escrever uma lista de tarefas, visualize-a mentalmente, como se fosse uma imagem. A partir daí construa ramos, subcategorias, etc. Este exercício trabalha a imaginação e obriga-o a associar ideias e outras imagens.

Devo consultar um Neurologista?
Quando as perturbações de memória interferem nas actividades diárias de alguém, afectando a sua autonomia, pode significar que estamos perante um tipo de declínio mais preocupante do que a perda de memória associada ao avançar dos anos e é motivo para marcar uma consulta de Neurologia. Entre os principais sinais de alarme destacam-se:
  • Esquecimento de parte ou totalidade de um acontecimento;
  • Perder gradualmente a capacidade de seguir indicações por escrito ou verbais ou de acompanhar o enredo de uma série ou filme;
  • Não conseguir lembrar-se do que almoçou/jantou nesse dia.
  • Perder gradualmente a capacidade de se vestir ou tomar banho autonomamente;
  • Ter dificuldade em manter uma conversa, perdendo a linha de raciocínio ou não se lembrando de palavras;
  • Perder gradualmente a capacidade de tomar decisões e de gerir o dinheiro.

quinta-feira, 10 de março de 2016

EXERCÍCIO NA GRAVIDEZ

Praticar exercício físico durante a gravidez aumenta os níveis de energia, previne o excesso de peso e diminui o risco de diabetes gestacional, entre outras vantagens.
 
 
Se está grávida, talvez esteja a pensar que praticar exercício físico é a última coisa que lhe apetece: sente-se cansada, pesada e sem energia. Porém, os benefícios da atividade física durante os meses da gravidez são muitos e vale a pena o esforço inicial. Garantimos-lhe.
 
Antes de começar
O primeiro passo é consultar a sua Obstetra que, tendo em conta a sua história clínica e a eventual existência de complicações como, por exemplo, diabetes que não esteja controlada, pressão arterial elevada, doenças cardiovasculares ou placenta prévia (inserida perto do colo uterino), entre outras, avalia se a prática de exercício físico é segura para a grávida e para o bebé. 
 
Atividades ideais
Caminhar, nadar, pedalar numa bicicleta estática, fazer step ou praticar remo são boas opções. Pelo contrário, desportos radicais ou de contacto, mergulho, equitação ou exercícios que impliquem posições que pressionem a zona abdominal são desaconselhados.
 
Exercício sim, mas com moderação
Se não pratica exercício físico há algum tempo, a futura mãe deve começar por apenas cinco minutos no primeiro dia e ir aumentando o tempo gradualmente nos dias seguintes até alcançar os 30 minutos diários.
Antes de treinar, faça 5 minutos de aquecimento e 5 minutos de alongamentos. Repita os alongamentos no final.
 
10 conselhos essenciais
  1. A grávida deve usar vestuário prático e largo.
  2. É importante escolher um soutien que assegure o suporte adequado do peito.
  3. Utilize calçado adequado ao tipo de desporto que está a praticar, para evitar lesões.
  4. Se vai caminhar, opte por fazê-lo num terreno plano.
  5. Após fazer exercícios sentada ou deitada, levante-se devagar para evitar tonturas.
  6. Aconselhe-se com o seu Obstetra em relação ao número diário de calorias que deverá ingerir diariamente.
  7. Informe-se também junto do médico em relação ao que deve comer antes e depois de praticar exercício físico.
  8. Não coma nos 60 minutos que antecedem a atividade física.
  9. Assegure a ingestão suficiente de líquidos antes, durante e depois do exercício físico, para que o organismo se mantenha hidratado.
  10. Tenha cuidado com o ritmo. Faça este teste: se não for capaz conversar normalmente enquanto está a praticar exercício físico é sinal que deve abrandar.
 
Atenção!
Se sentir algum desconforto/dor pare. Se não passar, é conveniente consultar o seu Obstetra logo que possível

quarta-feira, 9 de março de 2016

O MEU FILHO NÃO COME... O QUE FAZER?

Ter um filho que não tem fome ou não gosta de nada é motivo de angústia para os pais. Leia estes conselhos com atenção.
 
Uma das principais dificuldades que os pais com crianças em idade pré-escolar (1 a 6 anos) têm está relacionada com os filhos terem falta de apetite e gostarem de poucos alimentos. Muitas vezes têm razão mas é preciso ter cuidado para que a preocupação não seja exagerada. O apetite diminui nesta fase porque, ao entrar no 2º ano de vida, o ritmo de crescimento da criança abranda e, por consequência, a sua necessidade de calorias diárias também. Isso reflete-se no seu apetite. A falta de apetite pode ocorrer por outros motivos, como por exemplo, para chamar a atenção, porque as crianças percebem a importância que os pais dão à refeição.
Ensinadas desde pequenas, as crianças podem aprender a gostar de qualquer tipo de alimento. Como mudar hábitos é sempre difícil, seguem abaixo algumas noções que os pais devem ter em conta e estratégias que ajudam a superar as dificuldades no que toca às refeições.
 
12 factos que não ajudam a que a criança coma bem
  1. Os pais oferecerem muita comida, sem terem em conta o tamanho do estômago da criança;
  2. O intervalo entre as refeições ser irregular, muito pequeno ou cheio de "petiscos". A criança não come porque não tem fome;
  3. Nestas idades, o mundo em redor é muito mais interessante e curioso e um ambiente barulhento e confuso durante a refeição não ajuda. A criança não consegue concentrar-se no ato de comer;
  4. A criança perceber que, se recusar a comida, os pais irão fazer diversos malabarismos para que ela coma. Ela prefere então divertir-se e não comer;
  5. Os pais ficarem tão aflitos porque os seus filhos não comem que trocam a refeição por lanches ou outras guloseimas. Quando a criança entende o processo, faz chantagem para receber o "prémio";
  6. Os pais fazerem promessas como "se comeres tudo, recebes um chocolate" só servem para superestimar o doce e diminuir o valor da comida;
  7. A comida não estar saborosa (sem sal e temperos). A criança está aborrecida porque quer ter prazer em comer;
  8. Repetir a ementa todos os dias. É natural que a criança acabe por se desinteressar pela comida;
  9. A ansiedade transmitida para que o filho se alimente, passando esta angústia para ele e interferindo na sua vontade de comer;
  10. Apesar de serem mais fáceis de ingerir, papinhas passadas não estimulam o bebé a mastigar e a reconhecer o sabor dos alimentos e não desenvolvem o paladar;
  11. Não respeitar o gosto da criança. As características funcionais das papilas gustativas são determinadas geneticamente. Isso significa que, ao nascer, a criança já tem algumas preferências (e aversões) alimentares que precisam ser tidas em consideração;
  12. A criança ter dentes a nascer. A gengiva fica sensível e é mais difícil mastigar os alimentos. Muita calma (e paciência) nesta fase!
 

Como podem os pais prevenir/resolver a falta de apetite?

  • Estabeleçam horários para as refeições e para os lanches, com intervalos de 2/3 horas para crianças entre 1 e 6 anos e de 3/4 horas para os que estão em fase escolar;
  • Não troquem a refeição principal por outro alimento. Se a criança não quiser comer, aguardem meia hora ou uma hora e ofereçam-lhe novamente a mesma comida. Se ainda assim ela recusar, esperem mais tempo até que ela dê sinais de estar com fome. Mas certifiquem-se de que gosta do que está a ser oferecido;
  • As crianças trocam facilmente a refeição por sumos. Por isso, os pais devem limitar a ingestão de líquidos (sumos e água) durante a refeição (antes ou depois dela podem permitir). A capacidade gástrica das crianças é limitada e não vale a pena enchê-las de líquido. Esperem que a criança coma parte da refeição para então oferecer sumo ou água;
  • Sejam um bom exemplo: a influência do ambiente em que ela vive, o exemplo dos pais e as experiências positivas ou negativas podem ser mais fortes que a genética;
  • Não insistam em demasia. Os pais acham quase sempre que o seu filho está a comer pouco e acabam por forçá-lo a comer mais do que ele precisa ou aguenta. A oferta de um volume de alimentos maior do que a capacidade gástrica da criança diminui o prazer de comer do bebé e aumenta a ansiedade dos pais para além de poder desencadear patologias, como a obesidade;
  • Evitem malabarismos como "o aviãozinho". Inventar técnicas para fazer o filho comer, como distrair com um brinquedo ou com a televisão ligada e camuflar o alimento não educam para o prazer de se comer bem. Podem até funcionar na hora, mas perdem rapidamente o seu efeito. A hora de comer é hora só de comer, prestando atenção aos sabores, texturas, aromas e cores;
  • Substituam o alimento recusado por outro do mesmo grupo nutricional. Se insistem nos brócolos mas o bebé cospe tudo ou provoca o vómito, tente dar espinafres. Rejeita o feijão? Ofereçam a lentilha ou o grão-de-bico. Insistir exageradamente num alimento específico pode diminuir o prazer de comer, reforçando a falta de apetite;
  • Não tenham medo de impor limites. Resistam às birras e estabeleçam limites, seguindo horários fixos para fazer as refeições e insistindo numa alimentação nutritiva;
  • Não cedam à chantagem da "greve de fome". Ele não quer comer o jantar e insiste em comer bolachas. Para não deixar o miúdo de barriga vazia, aceitam a chantagem e deixam-no "lambuzar-se" à vontade, depois de prometer que vai comer na próxima refeição. Sabem o que vai acontecer? No dia seguinte, o seu espertíssimo filho vai recorrer à mesma tática, negando-se a comer o que é certo, em troca dos seus alimentos preferidos;
  • Não deixem os lanchinhos estragarem a disciplina. À hora do almoço ele não quis comer nada, mas uma hora depois está a pedir o lanche e enche-se de bolachas. Não deixem! Sejam firmes: se a criança disse que estava sem fome ao almoço, vai ter de esperar até a hora certa do lanche e quando ela chegar, vai ter que se contentar com a quantidade correta, mesmo que a fome seja maior. Continua com vontade? Ensinem-lhe a guardar a "fome" para o jantar. Depois de alguns dias, o seu filhote vai perceber que não tem sorte com o jogo e é melhor comer o almoço inteiro para não ficar com vontade depois.

terça-feira, 8 de março de 2016

LEITE E DERIVADOS: sim ou não?

Actualmente, as opiniões sobre o leite não reúnem o consenso da comunidade científica.
Desde há muitas gerações que o leite e derivados são alimentos recomendados para todas as idades. O teor de cálcio, fósforo, magnésio, proteínas e vitamina B1 fazem do leite e derivados alimentos completos e o seu consumo diário é recomendado pelas mais reputadas organizações internacionais. No entanto, existe também uma corrente de especialistas que defende que o consumo de leite pode acarretar alguns riscos para a saúde.

O que diz a Roda dos Alimentos
Segundo a Roda dos Alimentos, o grupo dos lacticínios deve representar 18% dos alimentos que ingerimos diariamente - duas a três porções diárias. Em termos práticos, a população em geral deve ingerir duas porções de lacticínios diariamente, sendo que crianças e adolescentes devem consumir três porções diárias.
De acordo com a Roda dos Alimentos, uma porção de leite corresponde a 250ml de leite (uma chávena almoçadeira), a um iogurte líquido ou a um iogurte sólido e meio. Duas fatias finas de queijo, um quarto de queijo fresco (de tamanho médio) ou meio requeijão (de tamanho médio) são equivalentes a uma porção.

Os defensores da ingestão de leite e derivados
Existem estudos científicos que defendem que a ingestão diária de leite e derivados, nas doses recomendadas, pode contribuir para prevenir a osteoporose, hipertensão arterial e diabetes tipo 2. Em conjunto com uma higiene oral eficaz, poderá também prevenir cáries dentárias. Pensa-se ainda que a ingestão de leite ajuda a melhorar a qualidade do sono por conter triptofano, aminoácido associado à produção do neurotransmissor serotonina que, por sua vez, é usado na produção de melatonina, hormona do sono.

Lacticínios e cálcio
Assegurar a ingestão adequada de cálcio desde a infância até à idade adulta ajuda a tornar os ossos fortes e a abrandar a perda óssea que surge com o avançar da idade. No entanto, de acordo com a Harvard School of Public Health, não é claro que precisemos de tanto cálcio como aquele que é recomendado a nível geral e, por outro lado, que os lacticínios sejam a melhor fonte de cálcio para a maior parte das pessoas.

Os lacticínios podem fazer mal?
O mesmo organismo alertou para o facto de que, embora o cálcio e os lacticínios possam reduzir o risco de osteoporose e de cancro do cólon, consumi-los em doses elevadas poderiam aumentar o risco de cancro da próstata e, possivelmente, cancro do ovário. Para além deste facto, os lacticínios podem ser ricos em gordura saturada e retinol (vitamina A) que, em níveis elevados e, paradoxalmente, podem enfraquecer os ossos.
Desta forma, a Harvard School of Public Health recomendou que é prudente limitar a ingestão de leite e derivados para apenas uma a duas doses diárias, no máximo, associadas a uma dieta equilibrada - o que forneceria o aporte diário de cálcio recomendado através de outros alimentos que não lacticínios (como legumes de folha verde-escura, por exemplo). Aconselha também a prática de uma actividade física regular (caminhar ou correr, entre outras) como um factor essencial para construir e manter ossos fortes.

Devo limitar o meu consumo de leite e derivados?
Se tem dúvidas sobre se deve continuar a consumir leite e derivados, e porque cada caso é um caso, recorra ao seu nutricionista/dietista, que o poderá aconselhar.

*A ingestão de cálcio recomendada actualmente é de 1000mg diários entre os 19 e os 50 anos, 1200mg diários a partir dos 50 anos e 1300 mg diários para grávidas e lactantes.

segunda-feira, 7 de março de 2016

TENDINITE DO OMBRO: como prevenir e tratar

Saiba o que é, as causas e como prevenir. Perante os sintomas, consulte o médico.
 
Por definição, a tendinite é uma inflamação de um tendão. Um tendão é a estrutura através da qual um músculo se insere no osso, levando assim ao movimento das articulações. O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano. Por isso, depende muito do equilíbrio dos músculos que a fazem mover. O ombro tem quatro tendões à volta da cabeça do úmero e ao conjunto desses tendões chamamos coifa dos rotadores. Entre o músculo supra espinhoso e o osso acrómio existe uma bolsa para diminuir o atrito (bolsa sub acromial). Esta bolsa e o tendão do músculo supra espinhoso, em conjunto com a longa porção do bicípite, são as estruturas mais envolvidas em processos inflamatório.

Causas da tendinite
As causas de tendinite são múltiplas. Podemos dividi-las em causas intrínsecas e causas extrínsecas:

Causas intrínsecas:
  • Alterações genéticas;
  • Diferenças anatómicas;
  • Alterações da postura;
  • Presença de calcificações (tendinopatia calcificada).

Causas extrínsecas:
  • Uso intensivo do computador;
  • O trabalho com os braços acima do plano das omoplatas;
  • A prática de exercício físico de forma inadequada ou demasiadamente intensiva;
  • Transporte intensivo de pesos com os membros superiores.

Das causas aos sintomas
Todos estes factores levam a uma alteração do equilíbrio muscular que, por sua vez, leva ao início dos sintomas. Estes podem aparecer de três formas distintas:

  1. A forma mais comum é o aparecimento de dores ligeiras quando se executam determinados movimentos, como ir buscar um objecto ao banco de trás do carro, colocar o cinto de segurança ou vestir o casaco. Estas dores podem, progressivamente, ir-se agravando e começar a surgir dor nocturna que impede o sono ou dificulta o adormecer.
     
  2. Outra forma de apresentação é uma dor muito intensa sem causa aparente, que nos acorda de noite e não tolera nenhuma mobilização.
     
  3. A terceira forma é uma conjugação das duas anteriores. Abrange pessoas que têm dores perfeitamente toleráveis em algumas actividades, não procuram tratamento e um dia têm um episódio extremamente doloroso.

Consultar o médico
É muito importante que, quando os sintomas se manifestarem, peça ajuda. Se o quadro o permitir, deve evitar os movimentos que dão dor enquanto aguarda por uma consulta de especialidade. Se tiver uma dor muito aguda e intensa, pode ter necessidade de recorrer a um serviço de atendimento permanente para a debelar, sendo depois encaminhado para uma consulta.

Como tratar
O tratamento passa pelo controlo da dor e da inflamação mas, sobretudo, pela recuperação do equilíbrio entre os vários grupos musculares com a ajuda da fisioterapia para evitar que o quadro se repita.

Como prevenir a tendinite
No escritório deve existir uma ergonomia correta do local de trabalho que garanta uma altura correta da secretária, o apoio dos antebraços junto ao teclado, a colocação do rato de forma a permitir opera-lo com o cotovelo junto ao tronco, uma altura correta do ecrã e a execução de intervalos regulares são fundamentais.
Na actividade desportiva é necessário trabalhar a postura e manter fortalecidos e coordenados os músculos da coifa dos rotadores que exercem o controlo do funcionamento do ombro (peça ajuda no ginásio).

Ouça o seu ombro!
Aos primeiros sinais, e de acordo com a intensidade das queixas, procure ajuda e, se necessário, diminua temporariamente as suas actividades. E lembre-se: “Se não parar por si, o seu ombro para-o a si”.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Doença oncológica e alterações na imagem

Doença oncológica e alterações na imagem

As mudanças a nível da imagem têm impacto mas podem ser minimizadas com apoio multidisciplinar e especializado.
 
Os doentes com cancro podem sofrer alterações profundas na sua imagem. Consoante o tipo de doença, os tratamentos necessários e a condição particular de cada pessoa, poderão perder o cabelo, sofrer alterações ou pigmentação cutâneas, ter lesões visíveis, sondas ou ostomias (respiratórias, digestivas ou urinárias), entre outras mudanças.

No entanto, viver bem com cancro é mais fácil se houver um conhecimento antecipado destas alterações e quais os meios para as prevenir, suavizar ou tratar. O aconselhamento de imagem pode ser feito pela equipa de profissionais de saúde que segue o doente, como é o caso dos oncologistas, dermatologistas e enfermeiros, bem como por profissionais de imagem, como cabeleireiros e maquilhadores especializados nesta área.

Viver melhor com a doença
Os doentes que têm contacto com abordagens personalizadas de apoio de imagem têm sentido que esta é uma das formas de conseguirem viver melhor com a doença. Por exemplo, um doente que necessite de uma cirurgia ao cólon, mama ou pulmão, e que precisa de fazer apenas alguns meses de quimioterapia pode, facilmente e se for esse o seu desejo, e com apoio de bom aconselhamento e tratamento de imagem, manter a sua actividade profissional sem que ninguém perceba que está ou esteve a fazer quimioterapia.

Aconselhamento médico
O primeiro passo para antecipar eventuais alterações da imagem do doente oncológico e os meios para os minimizar envolve uma conversa sobre este tema junto do médico que o segue, para que possa esclarecer todas as dúvidas e discutir alternativas.

Aconselhamento dermatológico
Antes, durante e após o tratamento, o acompanhamento dermatológico pode ser uma mais-valia na prevenção e minimização dos efeitos indesejáveis. O dermatologista poderá ajudar a escolher os produtos mais adequados a cada momento e, através da observação clínica, detectar e tratar precocemente os efeitos indesejáveis que podem ocorrer, por exemplo, como consequência da quimioterapia ou radioterapia.

Aconselhamento estético
Os profissionais da imagem têm uma vasta experiência técnica, sendo que alguns deles se têm dedicado exclusivamente às alterações de imagem dos doentes com cancro. Estes profissionais têm criatividade e recursos muito interessantes que surpreendem, muitas vezes, os próprios profissionais de saúde da área do cancro. Estes profissionais dominam as inúmeras técnicas e fontes de informação disponíveis, concentram-nas em pequenas dicas e truques para lidar com estas transformações e, num atendimento específico, em contexto próprio, ensinam, implementam e avaliam a eficácia das técnicas.