segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

PARA QUE SERVE O CORAÇÃO?

Visto que as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte em Portugal e noutros países, perceba melhor o que se passa no seu coração e dê-lhe a importância que ele merece.
 
O que é? O coração é composto, na sua maior parte, por músculo (músculo cardíaco ou miocárdio). O coração localiza-se no centro do sistema circulatório, que é formado por uma rede de vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares). Esta rede de vasos sanguíneos é responsável pelo transporte do sangue de e para todo o corpo.

Como funciona? O coração é controlado por uma espécie de sistema eléctrico que utiliza sinais eléctricos para contrair as paredes. Essa contração faz com que o sangue seja bombeado no sistema circulatório e as válvulas de entrada e de saída das câmaras cardíacas asseguram que o sangue flui na direcção certa.

Bomba vital O sangue que é bombeado transporta oxigénio e os nutrientes que os nossos órgãos e tecidos necessitam para funcionarem na perfeição. O sangue também transporta dióxido de carbono para os pulmões, para que este possa expelido quando expiramos.

Alimentar o coração Tal como os outros órgãos, e para funcionar bem, o coração necessita de sangue com oxigénio e nutrientes. A irrigação de sangue do coração é realizada pelas artérias coronárias.

Quando o coração adoece Ao preservarmos o coração, estamos a zelar por todos os outros órgãos do nosso corpo e pela nossa saúde global. Isto é, se o coração não estiver a trabalhar normalmente, os órgãos não receberão a quantidade de sangue necessária para que possam funcionar como é suposto.

Fatores de risco não modificáveis Ter antecedentes familiares de doenças cardiovasculares e o avançar da idade são fatores de riscos não modificáveis para as doenças que afetam o coração.

Fatores de risco modificáveis Existem outros fatores de risco para as doenças cardiovasculares, muito associados ao estilo de vida, que pode suprimir:
  • Fumar
    Solução: Deixe de fumar. Já. Se não consegue fazê-lo sozinha/o, marque uma consulta antitabágica.
     
  • Níveis elevados de colesterol e hipertensão arterial
    Solução: controle regularmente os níveis de colesterol e da pressão arterial. Faça uma alimentação saudável, rica em fibra, vegetais e proteínas magras e pobre em açúcar, sal e gorduras saturadas. Evite as bebidas alcoólicas e com cafeína e não fume.
     
  • Sedentarismo
    Solução: pratique 30 minutos de exercício físico pelo menos 5 vezes por semana. Se não quer ir ao ginásio, fazer caminhadas, nadar ou andar de bicicleta são boas opções.
     
  • Excesso de peso e obesidade
    Solução: ter uma alimentação saudável e praticar exercício físico são os pilares de um peso corporal adequado. Se já tem excesso de peso ou é obesa/o, não deixe de consultar um nutricionista.
     
  • Stress
    Solução: se tem dificuldade em gerir o stress, experimente modalidades que ajudam a relaxar, como ioga ou pilates. No quotidiano, estabeleça objectivos realistas e defina prioridades.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

FEBRE: o que fazer... e o que NÃO fazer

Saiba como actuar consoante as situações.

A febre é das manifestações mais frequentes na criança, provoca grande ansiedade na família e é causa de muitas consultas e absentismo dos pais.
Não é uma doença mas sim um sinal comum a várias doenças. A febre consiste no aumento da temperatura corporal acima da variação diária normal e ocorre na infância, na grande maioria das vezes devido a uma infeção por vírus.

Variações da temperatura corporal
A temperatura do corpo é controlada por um centro termorregulador, que equilibra ganhos e perdas de calor de acordo com um ritmo diário normal (ritmo circadiano). As temperaturas são mais baixas de manhã e mais elevadas (cerca de 1 ºC) ao fim da tarde. Assim, a temperatura corporal sofre variações ao longo do dia, oscilando entre 36,5-37,5ºC.

Atenção à utilização excessiva de antipiréticos
A febre é uma resposta de defesa do organismo perante uma infeção. O aumento da temperatura corporal contribui para a inativação dos micro-organismos e controlo da sua multiplicação.
Por estas razões, a febre só deve ser combatida para aliviar o desconforto existente. A utilização de antipiréticos em excesso pode ser prejudicial, não só pela toxicidade dos mesmos, mas também porque se pode estar a prolongar a doença e as suas complicações.

Quando se considera "febre"?
Em termos práticos, convencionou-se considerar febre quando a temperatura axilar está acima dos 38ºC. Fala-se em temperatura subfebril quando a temperatura oscila entre 37,5 e 38ºC.

O que fazer quando surge febre na criança
  1. Vigiar e estar atento ao aparecimento de sinais de gravidade;
  2. Despir ou diminuir a quantidade de roupa;
  3. Insistir na ingestão de líquidos, dando pequenas quantidades de cada vez mas frequentemente;
  4. Perante temperatura acima dos 38ºC axilar e/ou com grande desconforto associado, administrar um antipirético, utilizando de preferência a monoterapia com paracetamol. Só se os picos de febre forem inferiores a 4 horas é que se deve usar outro fármaco, como o ibuprofeno, em alternância;
  5. Se a criança tem menos de 3 meses, deve procurar assistência médica imediata;
  6. Nas crianças mais velhas pode aguardar 3 a 5 dias antes da avaliação médica.

O que NÃO deve fazer quando surge febre na criança:
  1. Aquecer a criança vestindo-lhe mais roupa;
  2. Utilizar antipiréticos em horário fixo (usar em SOS);
  3. Querer tratar a febre com antibióticos;
  4. Insistir numa alimentação normal e abundante;
  5. Atribuir a febre a uma erupção dentária.

Quando recorrer à urgência hospitalar
Esteja atento a sinais de gravidade como:
  • Prostração, gemido;
  • Dificuldade respiratória;
  • Vómitos e dores de cabeça intensas, que se mantêm ou que se agravam;
  • Lesões cutâneas (pintinhas), que não desaparecem com a pressão local;
  • Convulsões, alteração do estado de consciência ou do comportamento (irritabilidade, agitação, sonolência).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

ESTA GRÁVIDA? 5 HÁBITOS QUE DEVE ELIMINAR JÁ

O que deve modificar no seu estilo de vida para uma gravidez saudável.
 
1. Tabagismo
Se ainda fuma, faça da gravidez uma motivação extra para abandonar este hábito. Fumar durante a gravidez afecta a sua saúde e a do bebé - com repercussões na saúde futura deste. Os compostos químicos que existem num cigarro e que inalamos quando fumamos são transportados através da corrente sanguínea e vão directamente para o bebé.

Fumar durante a gravidez...
  • Diminui a quantidade de oxigénio disponível para o bebé e para a mãe;
  • Aumenta a frequência cardíaca do bebé;
  • Aumenta a probabilidade de aborto, de parto prematuro ou de baixo peso do bebé à nascença;
  • Aumenta o risco de o bebé desenvolver problemas respiratórios;
  • Aumenta o risco de Síndrome de Morte Súbita.

2. Ingerir bebidas alcoólicas
A recomendação é para que que a grávida não consuma bebidas alcoólicas. Um estudo recente da Universidade de Manchester apurou que a ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo que moderada, nos primeiros meses de gravidez, pode prejudicar o desenvolvimento e crescimento da placenta, o que impede o fornecimento ideal de nutrientes e de oxigénio para o bebé.

3. Fazer uma alimentação desequilibrada
Ter uma dieta pobre e desequilibrada tem consequências em qualquer fase da vida, favorecendo o excesso de peso e o desenvolvimento de várias doenças. Por isso, agora que está grávida, é ainda mais importante que modifique os seus hábitos. Uma dieta saudável durante a gravidez ajuda o bebé a desenvolver-se e a crescer e, por outro lado, mantém a mãe saudável e em forma.
Não é necessário fazer uma dieta especial mas é importante assegurar que é variada, equilibrada e fraccionada e que os alimentos que ingere são ricos em vitaminas e minerais (como a fruta e os vegetais) e pobres em gorduras e açúcares - o que também é importante para prevenir a diabetes gestacional.
Por outro lado, o médico vai aconselhá-la em relação aos alimentos que deve evitar e os cuidados que deve ter a nível da preparação e confecção. E não se esqueça: não tem de "comer por dois" - isso é um mito!

4. Beber muitos cafés
Segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists, o consumo de cafeína durante a gravidez não constitui um risco para a saúde da mãe e do bebé se não ultrapassar os 200mg por dia - o que corresponde a dois cafés, aproximadamente. No entanto, tenha em mente que não é só o café que contém cafeína, esta também está presente no chá, alguns refrigerantes e até no chocolate.

5. Não conseguir gerir o stress
É difícil que a gravidez e o próprio dia a dia não provoquem momentos de stress. Mas, segundo alguns especialistas, quando o stress deixa de ser ocasional pode ser prejudicial para a mãe e para o bebé. A capacidade que o organismo tem de lidar com o stress é afectada se este for continuado, levando a que o corpo reaja exageradamente e desencadeie uma reacção inflamatória.
Tente defender-se dos efeitos do stress mantendo uma rotina tranquila, aconselhando-se com o médico sobre as possíveis causas para o stress que está a sentir, bem como as  estratégias que pode adoptar para preveni-lo e geri-lo (meditação, entre outras técnicas).

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ENXAQUECA OU DOR DE CABEÇA?

Como podemos distinguir uma dor de cabeça de uma enxaqueca? Sabia que a enxaqueca pode ser hereditária?
 
Enxaqueca e dor de cabeça não são exactamente a mesma coisa. A cefaleia, normalmente designada por dor de cabeça, é uma situação clínica muito frequente. Pode ser um sintoma isolado ou pode estar integrada numa síndrome mais ou menos complexa.
Já a enxaqueca é um tipo comum de dor de cabeça ou de cefaleia. Ou seja, a enxaqueca é uma dor de cabeça, mas uma dor de cabeça nem sempre é uma enxaqueca. Conhecer os sintomas e as causas é essencial para um correto diagnóstico e tratamento.

Tipos de cefaleias
As cefaleias podem ser:
  • Primárias
    São um problema de saúde por si só. Constituem a grande maioria das dores de cabeça.
  • Secundárias
    Resultam de outros problemas de saúde, como infecções, traumatismos cranianos, alterações da tensão arterial ou da glicemia.

As cefaleias primárias, por sua vez, podem ser:
  • Enxaquecas;
  • Cefaleia tipo tensão;
  • Cefaleia em salvas;
  • Outras cefaleias.

Como reconhecer uma enxaqueca
A enxaqueca é uma das formas clínicas mais comuns de cefaleia primária ou idiopática. É uma afeção do cérebro e pode ser hereditária. Em Portugal, a prevalência da enxaqueca ao longo da vida é de 16%. Manifesta-se por crises que podem durar entre 4 e 72 horas.
A dor é descrita como unilateral, pulsátil (o coração parece bater dentro da cabeça) e de intensidade moderada a severa, agravando-se com a actividade física, com a luz e com o ruído. Em alguns casos, a enxaqueca associa-se a náuseas e vómitos ou mesmo a sintomas neurológicos sensitivos (formigueiros ou dormência na face ou membro) e visuais (percepção de pontos, linhas ou figuras luminosas), as chamadas auras.

Como reconhecer uma cefaleia
A cefaleia de tensão caracteriza-se por uma dor mais leve, do tipo pressão ou aperto, com localização bilateral, e que não se agrava com a actividade, associando-se mais com a intolerância ao ruído. Na cefaleia em salvas, a dor é mais severa, unilateral com localização orbital (à volta do olho), supraorbital (acima do olho) e/ou temporal (na têmpora).
Existem ainda outros tipos de cefaleias, como a cefaleia primária de tipo guinada, que dura alguns segundos, a cefaleia primária de esforço, que ocorre após o exercício físico, e a cefaleia primária associada a actividade sexual.
O diagnóstico do tipo de cefaleia é feito a partir da história clínica (entrevista e exame físico, designadamente exame neurológico), mas em alguns casos o médico pode pedir exames complementares, como Ressonância Magnética ou TAC cerebral.

Tratamento
O tratamento da cefaleia tem como objectivo resolver as crises de forma eficaz e rápida, devolvendo ao doente a sua capacidade funcional, assim como impedir novas crises ou reduzir a sua frequência, duração e intensidade. Uma das medidas gerais é a identificação dos factores precipitantes, em pessoas susceptíveis, como a ingestão de certos alimentos ou de bebidas alcoólicas, o stresse, a menstruação, o jejum, alterações do ritmo do sono e esforços intensos ou a toma de determinados fármacos.
Nas crises agudas, os analgésicos e anti-inflamatórios são fármacos não específicos de primeira linha para o alívio da dor de cabeça mas que só actuam nas crises leves ou moderadas. Existem também fármacos específicos para a enxaqueca, como os triptanos e a ergotamina que são mais eficazes e atuam mesmo nas crises mais severas. Já a cefaleia em salvas pode exigir outros cuidados, incluindo oxigénio por máscara. O tratamento profilático (de prevenção) inclui alguns tipos de anti-hipertensores, antiepiléticos ou antidepressivos, devendo ser prescritos pelo médico.

Sabia que...
A enxaqueca não é uma doença exclusiva das mulheres e dos adultos, ao contrário do que muitos pensam, afectando também os homens e as crianças. Habitualmente, porém, surge a partir dos 15 anos e é mais comum no sexo feminino.
 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O SEU FILHO NÃO SE ADAPTA Á ESCOLA?

Saiba como ajudar o seu filho a ultrapassar este obstáculo.
 
Uma nova escola é todo um mundo desconhecido. Mas, geralmente, ao fim de poucos dias uma criança já sabe o caminho até à sala de aula, onde é o recreio e já fez novos amigos. No entanto, para outras crianças, esta mudança pode ser uma verdadeira provação. Conheça os sinais de alarme que denunciam uma adaptação mais difícil à nova escola.

Os sinais
Dores de barriga, de cabeça ou no peito, mal-estar, choro e, até, resistência física, são sinais típicos daquilo a que os especialistas chamam "recusa escolar". Muitas vezes a criança queixa-se sem mencionar que não quer ir à escola. Noutros casos, pode dizê-lo explicitamente. "Curiosamente", os sintomas passam pouco depois e nunca se manifestam nos fins de semana.
Se este é o caso do seu filho, a primeira coisa a fazer é conversar com ele e tentar perceber o que se passa. Talvez seja por ter saudades dos amigos e professores da antiga escola, por ter havido um desentendimento com um colega ou, simplesmente, a criança pode precisar de mais tempo para se adaptar. Mas se as queixas persistirem deve tomar medidas.

Leve o seu filho ao pediatra
Talvez haja uma razão física para as queixas que o seu filho manifesta, mesmo que estas sejam passageiras. Caso o pediatra descarte a hipótese de haver doença, converse com ele sobre a melhor forma de proceder para ajudar o seu filho a adaptar-se à nova realidade.
Por mais que lhe custe, evite deixar o seu filho faltar à escola. Quanto mais faltar, menos aproveitamento terá, o que pode originar um novo problema.

Identifique as causas
Procure perceber o que está a causar ansiedade no seu filho. Pode ser um desentendimento com um colega ou professor, ou a ansiedade da separação dos pais e de casa. O seu filho pode ter medo que, por alguma razão, os pais não o vão buscar à escola ou que alguma coisa lhes aconteça. Use argumentos baseados no bom senso (que são sempre os mais convincentes), explicando que os pais não o vão "abandonar" e tente ir buscá-lo um pouco mais cedo no dia seguinte. Ver o pai ou a mãe logo que sai da sala vai contribuir para diminuir a ansiedade.

Ajude-o a criar laços com o professor
O afeto para com os professores é a base para que a criança fique disponível para aprender. Se sente que o seu filho ainda não criou esta ligação, fale com a professora/professor. Explique-lhe que sente que o seu filho precisa de mais tempo para se adaptar e que espera dela/e um esforço complementar no sentido de o ajudar.

Fortaleça a vossa ligação
Sentir que os pais estão a par do que se passa na escola e prontos para o ouvir dará uma grande segurança ao seu filho. Assegure-se que reserva, todos os dias, algum tempo para conversarem sobre o dia na escola. A hora de jantar, em que todos os membros da família estão reunidos à mesa, é uma boa ocasião para falarem sobre o que a criança fez na escola.

Peça ajuda
Se mesmo com toda a atenção dos pais e professores o seu filho continua não querer ir à escola, se tiver pesadelos e estiver muito ansioso, aconselhe-se novamente junto do pediatra. Este saberá o que fazer e, se achar necessário, pode encaminhar a criança para uma consulta de psicologia infantil.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

DEPRESSÃO NA ADOLESCÊNCIA: OS SINAIS DE ALARME

Os sinais de alarme que significam que os pais devem procurar ajuda médica
 
Mudanças físicas e emocionais, pressão entre pares ou medo de não corresponder às expectativas dos pais são acontecimentos e sentimentos habituais durante a adolescência. No entanto, para alguns jovens, o impacto é maior e os sentimentos de tristeza e a perda de interesse por quase tudo são persistentes e afectam todas as esferas da sua vida. A depressão afecta a forma como o adolescente pensa, sente e se comporta, podendo causar problemas físicos, emocionais e até funcionais.
Descubra mais sobre a depressão na adolescência e esteja atento aos sinais de alarme.

Factores de risco
Existem factores que aumentam o risco de desenvolver ou desencadeiam a depressão no adolescente, como:
• Ser do sexo feminino – a depressão é mais frequente em raparigas;
• Obesidade;
• Baixa autoestima;
• Problemas de relacionamento;
• Bullying;
• Ter sido vítima ou testemunha de violência física ou sexual;
• Ter anorexia ou bulimia;
• Ter uma perturbação de aprendizagem;
• Ter uma doença crónica;
• Consumir tabaco, bebidas alcoólicas ou drogas;
• Alteração da orientação sexual;
• Ter um pai, avô ou outro familiar com depressão, transtorno bipolar ou problemas de alcoolismo;
• Ter um membro da família que se suicidou;
• Ter passado por eventos recentes traumatizantes, como a morte de um familiar ou o divórcio dos pais.

Sinais de alarme
Os pais devem estar atentos e ter consciência que a depressão não é uma “fraqueza” que pode ser ultrapassada apenas com força de vontade, alertam os especialistas, sendo necessário procurar ajuda médica e tratamento especializados, que pode incluir a toma de fármacos e acompanhamento psicológico.
Os sinais e sintomas de depressão na adolescência incluem alterações nas emoções e comportamento, como:

Emoções
• Sentimentos de tristeza que podem incluir ataques de choro sem motivo aparente;
• Irritabilidade, frustração e raiva;
• Perda de interesse e pelas actividades do quotidiano;
• Perda de interesse pela família e amigos ou relações conflituosas com estes;
• Sentimentos de inutilidade, culpa e de autocrítica;
• Hipersensibilidade a eventuais rejeições ou falhas e necessidade excessiva de ser tranquilizado;
• Dificuldades de concentração, memória e em tomar decisões;
• Sensação que o futuro será difícil e “negro”;
• Pensamentos frequentes sobre morte, morrer e suicídio.

Comportamento
• Ter insónias ou dormir demasiado;
• Alterações no apetite que podem incluir perda de apetite e de peso ou comer demasiado e engordar;
• Consumo de bebidas alcoólicas ou drogas;
• Agitação ou inquietação;
• Pensamentos e movimentos mais lentos;
• Dores de cabeça ou no corpo sem razão aparente;
• Menor rendimento escolar;
• Aparência física pouco cuidada;
• Comportamentos de risco;
• Automutilação (cortes, queimaduras).

O que os pais devem fazer 
Perante um ou mais sinais de alarme, os pais devem conversar com o adolescente, tentando perceber o que este está a sentir. Se os sintomas de depressão se mantiverem, os pais devem aconselhar-se com o pediatra ou numa consulta de Medicina do Adolescente. No entanto, é fundamental não esperar muito tempo – os sintomas de depressão não melhoram por si só e tendem a agravar-se se não forem tratados. A depressão na adolescência pode conduzir ao suicídio, mesmo que os sinais e sintomas não pareçam muito graves.

Atenção!
Se o adolescente falar sobre morte e suicídio, procure ajuda: ligue para uma linha de apoio especializada, aconselhe-se com o médico e peça o apoio de familiares e amigos enquanto lida com a situação.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

VÍRUS ZIKA: O que é e como evitar a propagação?

A doença causada pelo vírus Zika é considerada uma doença infecciosa emergente. Saiba quais são os sintomas e as principais medidas de prevenção.
 
O vírus Zika é transmitido pela picada de mosquitos infetados
O vírus Zika pertence à família Flaviviridae. Os principais vectores (mosquitos transmissores do vírus) são do género Aedes (Aedes aegypti e Aedes albopictus). Não se trata de um vírus novo. Na verdade, foi isolado, pela primeira vez, em 1947, na floresta Zika, no Uganda e vem daí o seu nome.
Antes de 2007, estavam documentados apenas pequenos surtos em África e no sudeste da Ásia. A partir desse ano o Zika vírus chegou às ilhas do Pacífico. Os primeiros casos na América Latina foram reportados em 2015. Em Portugal estavam descritos, até Janeiro de 2016, cinco casos, todos eles importados.

Como se transmite o vírus Zika?

O vírus Zika é transmitido aos seres humanos pela picada de mosquitos infectados. Não se transmite de pessoa para pessoa, apesar de haver a suspeita de casos de transmissão por via sexual.

Sinais e sintomas do vírus Zika

Na maioria dos casos, a infecção pelo vírus Zika não dá sintomas (entre 60 a 80%). Quando ocorrem, os sintomas são geralmente ligeiros e autolimitados, durando entre 4 a 7 dias e desaparecendo sem causar complicações e sem necessidade de hospitalização.
Os sintomas mais frequentes do Zika vírus são:
  • Febre
  • Erupções cutâneas
  • Dores nas articulações
  • Dores de cabeça
  • Dores musculares
  • Conjuntivite não purulenta/Hiperemia conjuntival

Com menos frequência:
  • Dores nos olhos
  • Sintomas gastrointestinais

Na sequência da epidemia, foi notificado um número superior ao habitual de casos de síndrome de Guillain-Barré e de anomalias congénitas (microcefalia) em fetos e recém-nascidos de mães expostas ao vírus Zika nos dois primeiros trimestres da gravidez. Contudo, a relação causal entre a infecção e estes problemas ainda não está comprovada.

Quais os cuidados a ter para prevenir a infeção pelo vírus Zika?

Como não ainda não existe uma vacina ou um medicamento preventivo contra o vírus Zika, a principal medida de prevenção é proteger-se contra a picada do mosquito nas deslocações para as áreas afectadas, aconselhando-se previamente numa Consulta do Viajante ou com o seu médico assistente e seguindo as recomendações das autoridades, sobretudo no caso das mulheres grávidas.
Os principais conselhos são:
  • Aplicar repelentes de mosquitos, seguindo as instruções do fabricante;
  • Usar camisas de manga comprida e calças para proteger o corpo;
  • Preferir alojamentos com ar condicionado;
  • Utilizar redes mosquiteiras, caso o alojamento não disponha de ar condicionado.

Se está grávida e regressou recentemente de uma zona afectada pelo vírus Zika, deve consultar o seu médico assistente para ser devidamente seguida.
Se viajou até um país afectado e tiver um dos sintomas descritos até 12 dias após a data de regresso, aconselhe-se com o seu médico. Recorde-se que o período de incubação varia entre 3 a 12 dias após a picada do mosquito infectado.

Tratamento do vírus Zika

O tratamento do Zika vírus é dirigido aos sintomas da infecção e assenta em antipiréticos (para baixar a febre), analgésicos (para aliviar a dor) e anti-histamínicos (para combater o prurido cutâneo). Não existe ainda um medicamento específico.
Em caso de febre, aconselha-se a ingestão de muitos líquidos, para evitar a desidratação.
É desaconselhado o uso de ácido acetilsalicílico e de anti-inflamatórios não esteroides devido aos riscos associados.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

DETECTOU UM SINAL QUE A/O PREOCUPA?

Se detectou um sinal novo ou que se modificou, leia este artigo e não deixe de se aconselhar numa consulta de dermatologia.
 
Em Portugal, a incidência de cancros de pele tem aumentado e mais de 90% dos casos estão associados a uma exposição solar excessiva e/ou desprotegida ao longo da vida. Estima-se que em Portugal, anualmente, surjam cerca de 100 casos de melanoma por ano. 
O melanoma maligno é dos tipos mais graves de cancro (pode ser fatal) e as probabilidades de o tratamento ser eficaz dependem muito de um diagnóstico e início de tratamento precoces.
Se detectou um sinal que se modificou recentemente ou que não existia, leia este artigo até ao fim.

O que caracteriza um sinal normal
Um nevo (sinal) pode aparecer durante a infância ou no início da adolescência e poderão surgir vários sinais em simultâneo, particularmente em zonas da pele expostas ao sol. Os sinais permanecem inalterados ao longo de muitos anos e, por vezes, chegam a desaparecer ultrapassada a barreira dos 65 anos.
Um nevo (sinal) normal tem uma coloração castanha, cor de pele ou preta, distribuída igualmente. É plano ou ligeiramente elevado e de forma oval ou redonda. Geralmente, a dimensão não ultrapassa os seis milímetros de diâmetro.

O que caracteriza o melanoma
Usualmente, o melanoma é assimétrico e os bordos são irregulares. A cor varia entre o castanho, preto, azul ou mesmo laranja. O diâmetro pode ser superior a 6 milímetros.
A pele que circunda o sinal pode ter crostas, feridas ou vermelhidão. O melanoma pode ter o aspecto de uma "bolha de sangue" e pode provocar comichão ou dor.

A regra ABCD é um auto exame que pode ajudar a distinguir um sinal normal de um melanoma:
Assimetria: metade do sinal é diferente da outra metade.
Bordo: os bordos do sinal são irregulares, nodulados e recortados.
Cor: não é uniforme. Pode haver diferentes tonalidades de castanho, preto e, por vezes, de vermelho, azul e branco.
Diâmetro: o diâmetro do sinal é maior que 6 milímetros.

Sinais de alarme 
  1. Um sinal que já existia e cuja cor, tamanho ou forma se altera ou que começa a sangrar;
  2. Surgirem feridas que demoram muito tempo a cicatrizar;
  3. Um sinal tornar-se anormalmente grande;
  4. Aparecimento de "bolhas de sangue" debaixo das unhas sem nenhuma razão aparente (pancada, entre outras situações);
  5. Surgir um sinal novo, particularmente depois dos 40 anos, que apresente uma forma irregular ou uma cor anormal;
  6. Sentir comichão ou ardor num sinal que já existia.

Atenção!
Existem melanomas que não seguem as regras do ABCD. Alguns dos  sintomas que não devem ser desvalorizados incluem o aumento rápido de volume e/ou expansão do sinal, intensificação da pigmentação, características da superfície, erosões e exsudado sanguinolento, reacção inflamatória, dor ou prurido.

Diagnóstico precoce é fundamental
É muitíssimo importante saber reconhecer mudanças em sinais pré-existentes e o que caracteriza um sinal sugestivo de desenvolvimento de melanoma.
Se, depois de ter lido este artigo, e após ter examinado o seu sinal tendo em conta a regra ABCD, verificou que o seu sinal pode não ser normal, aconselhe-se logo que possível com um dermatologista.

Oncologia cutânea 
Actualmente existem consultas sub especializadas de oncologia cutânea que se destinam ao acompanhamento de uma pessoa que tenha sido diagnosticada com cancro de pele ou de quem tenha um risco elevado de vir a ter esta doença (história familiar de cancro de pele, entre outros factores).
A existência de métodos de diagnóstico e de estudo inovadores, os novos tratamentos para o cancro de pele e a abordagem multidisciplinar têm vindo a contribuir para que o número de casos diagnosticados tenha aumentado e para uma maior eficácia dos tratamentos.

Sabia que...
No sexo masculino, a localização mais frequente do melanoma é no tronco, em particular na região superior do dorso. No sexo feminino, a localização mais frequente do melanoma é nas pernas e também na zona superior do dorso.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS NO DESPORTO: OS RISCOS PARA A SAÚDE

A toma indiscriminada de suplementos vitamínicos, nomeadamente no desporto, pode acarretar diversos riscos. Conheça-os.
 
São preparados de nutrientes disponibilizados sob a forma de pastilhas, pós ou xaropes e tomados como complementos à alimentação e, em Portugal, são produtos de venda livre. Os suplementos nutricionais permitem corrigir deficiências nutricionais que ocorrem em casos específicos, como a toma de determinados medicamentos, mas se usados de forma indiscriminada podem representar riscos para a saúde.

Funções essenciais
As vitaminas e minerais são micronutrientes, isto é, nutrientes que, apesar de não fornecerem energia, têm funções específicas indispensáveis ao bom funcionamento do organismo, define a Associação Portuguesa de Nutricionistas. Enquanto as vitaminas actuam como reguladores das proteínas, dos hidratos de carbono e do metabolismo das gorduras, os minerais, actuando juntamente com as enzimas, são fundamentais para o metabolismo energético, explica o American College of Sports Medicine (ACSM).

Os riscos dos excessos
À semelhança do que acontece com os macronutrientes - hidratos de carbono, proteínas e lípidos ou gorduras -, também para os micronutrientes existem doses diárias recomendas (DDR). As DDR são valores de referência, abaixo dos quais o organismo fica em carência nutricional. No entanto, ultrapassá-los também é perigoso, já que as vitaminas e/ou minerais em excesso podem ser tóxicos.
Segundo o ACSM, o consumo de suplementos vitamínicos e minerais em doses que excedem as DDR por parte de pessoas bem nutridas pode ter efeitos adversos. Por exemplo, a ingestão prolongada de doses elevadas de ácido ascórbico (vitamina C) pode resultar em formação de pedras nos rins, diminuição do tempo de coagulação e problemas gastrointestinais, entre outros distúrbios fisiológicos; o excesso de zinco induz uma deficiência secundária de cobre e faz diminuir a concentração do "bom" colesterol (HDL).

O caso dos atletas
Embora reconheça que a prática de actividade física pode aumentar a necessidade de algumas vitaminas e minerais, o ACSM frisa que a generalidade das pessoas pode obter a dose necessária através de uma alimentação variada e equilibrada - o que, no caso português, corresponde a respeitar as indicações da Roda dos Alimentos.
Assim, apenas quem adopta, de forma prolongada, uma dieta de baixo aporte energético, está em risco de desenvolver uma deficiência nutricional de vitaminas e/ou minerais, podendo beneficiar da toma de um suplemento.
Mas, mesmo que haja uma deficiência nutricional evidente, refere a mesma fonte, não existem evidências científicas que apoiem o uso generalizado de suplementos para melhorar o desempenho atlético.

Recomendações aos desportistas
Em pessoas saudáveis, o uso de suplementos vitamínicos e minerais deve ser encarado de forma criteriosa, se é que deve ser de todo considerado, frisa o ACSM. Os desportistas profissionais, devido ao interesse em maximizar o seu desempenho físico, poderão procurar usar suplementos, mas devem estar cientes dos seguintes pontos críticos e aconselhar-se sempre, previamente, com um especialista em medicina desportiva:
  • Para optimizarem o aporte de vitaminas e minerais, os atletas devem adoptar uma alimentação variada; se já adoptarem uma dieta nutricionalmente equilibrada, o seu desempenho não irá melhorar por tomarem suplementos; só atletas com deficiência(s) nutricional(ais) definida(s) beneficiarão de uma suplementação com nutrientes.
  • As preocupações sobre a adequação nutricional da dieta devem ser avaliadas por um dietista ou nutricionista credenciado e experiente em aconselhamento de atletas e/ou um especialista de medicina desportiva.
  • É desaconselhada a toma de doses elevadas de vitaminas e minerais, devido à potencial toxicidade e às potenciais interacções adversas entre nutrientes.
  • Pessoas fisicamente activas que usam suplementos vitamínicos e minerais de forma intermitente e como prevenção devem usar produtos que não excedam as DDR de nutrientes essenciais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

GRIPE E CONSTIPAÇÃO: descubra as diferenças

 
Saiba o que define cada uma delas e como deve actuar perante os sintomas.
Os vírus responsáveis pela gripe e pela constipação são distintos e, como tal, os sintomas e o modo de actuar perante cada uma não são idênticos. Aprenda a distinguir uma da outra e a preveni-las.

Gripe

1. A gripe é uma doença aguda viral que afecta especialmente as vias respiratórias.
2. A transmissão do vírus da gripe é feita através de espirros ou de tosse, em que a pessoa infectada expele partículas.
A transmissão também pode ocorrer por contacto direto (como, por exemplo, as mãos tocarem em objectos que tenham ficado contaminados com as secreções de alguém infectado).
3. A melhor arma de prevenção contra a gripe é a vacinação, que deve ser anual, durante os meses de outono/inverno e, de preferência, em Outubro/Novembro – o pico da actividade gripal ocorre entre Novembro e Fevereiro. Segundo o Portal de Saúde, as pessoas que devem ser vacinadas contra a gripe são as que têm um risco superior de ter complicações depois da doença:
  • Idade igual ou superior a 65 anos;
  • Quem sofre de doenças crónicas dos pulmões, coração, fígado ou rins (exceto bebés com menos de 6 meses);
  • Diabéticos;
  • Outras patologias que diminuam a resistência às infecções.
4. Pessoas que tiveram uma reacção alérgica grave a uma dose da vacina da gripe não devem voltar a tomá-la. A vacina contra a gripe também não deve ser tomada por pessoas com alergia severa ao ovo.
5. O contágio é evitado através do uso de máscara, isolamento, lavagem frequente das mãos com água e sabão (utilize toalhetes se não puder lavar as mãos). Quando tossir ou espirrar, utilize um lenço de papel ou o antebraço para tapar a zona da boca (não use as mãos).
6. Entre os sintomas mais comuns associados à gripe incluem-se mal-estar repentino, dores de cabeça, musculares/articulares, febre alta e, em alguns casos, olhos inflamados.
7. Para aliviar as queixas recomenda-se o repouso em casa, a toma de paracetamol para baixar a febre, o uso de soro fisiológico para diminuir a congestão nasal e beber muitos líquidos (água, sumos, infusões/chá) ao longo do dia. Na persistência dos sintomas de gripe deve recorrer-se ao médico assistente.

Sabia que…
Os antibióticos actuam nas bactérias e não nas infecções provocadas por vírus - gripes e constipações - e nunca devem ser tomados sem terem sido prescritos pelo médico. A gravidez e o aleitamento também implicam o aconselhamento médico antes de se tomar um medicamento.

Constipação

1. Trata-se de uma infecção das vias respiratórias superiores provocada por um vírus e, geralmente, é ligeira.
2. A transmissão ocorre, habitualmente, de indivíduo para indivíduo, através do contacto com as secreções respiratórias da pessoa infectada. Para que isso aconteça, basta que esta tussa, espirre ou, até, fale muito perto de alguém. O contacto directo com essas gotículas (através das mãos, por exemplo) também é uma forma de transmissão.
3. Para prevenir o contágio deve lavar frequentemente as mãos, tossir ou espirrar para um lenço de papel ou para o antebraço.
4. As queixas mais comuns, que surgem de forma gradual, são:
  • Congestão e corrimento nasal intenso;
  • Comichão e vermelhidão no nariz;
  • Diminuição ou perda do olfacto e do paladar;
  • Espirros;
  • Olhos lacrimejantes;
  • Dor de cabeça e/ou de garganta;
  • Eventualmente, febre baixa
5. Os sintomas tendem a atenuar-se com repouso, ingestão de líquidos (água, sumos, infusões/chá), a não exposição ao frio e a ambientes com fumo (e não fumar!); utilização de soro fisiológico para aliviar a obstrução nasal.
6. A toma de paracetamol ajuda a aliviar as dores e/ou a baixar a febre.

Sabia que…
Existem pessoas mais susceptíveis às constipações: crianças; fumadores e doentes respiratórios crónicos (doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, enfisema pulmonar, entre outras patologias).

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

TERAPIA DA FALA: QUANDO PROCURAR?


Os terapeutas da fala são um elemento necessário não apenas na infância, mas também na idade adulta.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista em terapia da fala.
É fundamental que os pais estejam atentos a um conjunto de sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir no “timing” mais adequado.
Na idade pré-escolar, a terapia da fala maximiza competências linguísticas e comunicativas.

Sinais de alerta que podem indicar a necessidade de avaliação e de terapia da fala

Dos 0-6 meses:

– Não reage a sons;
– Não sorri;
– Não estabelece contacto ocular.

Dos 6-12 meses:

– Não emite sons (e.g “mamama” ou “bababa”);
– Não reage ao seu nome;
– Não reage a sons familiares.

Dos 12-18 meses:

– Não brinca;
– Não produz monossílabos;
– Não reage ao interlocutor, olhando ou sorrindo quando brinca com ele;
– Não recorre à imitação.

Dos 18-24 meses:​

– Não compreende instruções simples;
– Apresenta um vocabulário reduzido (entre 4 a 6 palavras);
– Não diz palavras simples.

Dos 2-3 anos:

– Apresenta um vocabulário reduzido (inferior a 200 palavras);
– Não questiona;
– Não constrói uma frase com duas ou mais palavras;
– Dificuldade em imitar gestos simples associados a canções infantis;
– Recorre mais a gestos do que a palavras para comunicar.

Dos 3-4 anos:

– O padrão de fala é pouco inteligível aos interlocutores da criança (pais e o adulto estranho);
– Não produz frases simples;
– Utiliza frequentemente palavras do tipo “isto” e/ou “coisa” em vez da nomeação correta;
– Dificuldade em compreender ordens simples, a não ser que sejam ditas de forma adaptada (muito lentamente e/ou acompanhadas por pistas visuais – gestos, apontar, olhar).

Dos 4-5 anos:

-Omite e/ou troca sons nas palavras;
– Dificuldade em iniciar ou repetir uma palavra, parecendo gaguejar;
– Dificuldade para contar uma história e/ou para descrever acontecimentos simples, da rotina diária;
– Dificuldade em cumprir duas instruções simples;
– Dificuldade em falar ou responder a questões relacionadas com o “ontem” ou o “amanhã”.

Dos 5-6 anos:

– Mantém alterações na articulação correta das palavras;
– Utiliza frases mal estruturadas;
– Discurso incoerente, desorganizado e desadequado à questão que lhe é colocada;
– Dificuldade em manter e explorar um determinado tópico de conversa, com princípio, meio e fim;
– Não consegue dividir as palavras em sílabas e as sílabas em fonemas;
– Dificuldade em discriminar os sons da fala, ou seja, quando ouve “bota” e “mota”, a criança não identifica diferenças nas palavras.

A terapia da fala pode prevenir problemas na criança e no adulto (educadores, professores e auxiliares de educação) a partir da realização de rastreios auditivos e vocais e da implementação de check-list de Linguagem e Comunicação/Interação nos diferentes contextos (instituições de ensino pré-escolar, escolar e universitário).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Aprenda a reconhecer o melanoma

O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Conheça os sintomas e sinais de alarme do melanoma.


O cancro da pele é o cancro mais frequente da raça humana e tem origem nas células que constituem o tegumento cutâneo. Existem muitos tipos de cancro da pele. Em termos práticos, são divididos em dois grandes grupos:

Melanoma maligno
O melanoma maligno, doença do foro oncológico cada vez mais frequente e potencialmente letal, tem origem nas células do sistema de pigmentação da pele, isto é, nas células (melanócitos) que produzem o bronzeado após a exposição ao sol. Em casos raros, o cancro pode ter origem nestas células nos olhos, nas vias respiratórias, no intestino, no cérebro e em mucosas.
O melanoma é um tipo de cancro dos mais graves e as hipóteses de sobrevivência dependem, sobretudo, de um diagnóstico e tratamento adequado e precoce. Um diagnóstico e uma excisão cirúrgica precoce em melanomas in situ ou na sua fase inicial de invasão são geralmente curativos na maioria dos pacientes. O principal desafio que os clínicos enfrentam é a deteção e excisão precoce do melanoma, sendo o fator de prognóstico mais importante a espessura do tumor. Mesmo com os avanços no campo da quimioterapia e imunoterapia, o sucesso no tratamento do melanoma no seu estadio avançado continua limitado e o prognóstico da sua forma metastizada é muito reservado.

Não-Melanoma
Este grupo inclui o carcinoma basocelular ou basalioma, e o carcinoma espinocelular. São habitualmente menos perigosos, mas podem ter mau prognóstico se não forem tratados precocemente.
O cancro da pele pode atingir pessoas de todas as idades, sendo mais frequente nos doentes mais velhos. Todavia, as pessoas que estão expostas a grandes quantidades de radiação solar podem desenvolver cancro tão precocemente quanto os 20/30 anos.

Melanoma Maligno à lupa
O melanoma é o cancro da pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos da espécie humana. O melanoma resulta da transformação maligna dos melanócitos, células que se localizam nas camadas mais profundas da epiderme onde produzem o pigmento, denominado de melanina, que confere a tonalidade castanha à pele.
O melanoma maligno pode surgir de novo na pele sã de qualquer parte do corpo (70% dos casos), ou sobre sinais pré-existentes, denominados de nevos pigmentados (30% dos casos). Hoje em dia sabe-se que o melanoma maligno está associado na maioria dos casos à exposição solar intermitente, aguda e intempestiva, muitas vezes acompanhada de queimaduras solares.

Qual a incidência do melanoma?
Os melanomas representam 5% de todos os tumores malignos diagnosticados de novo em homens. A sua incidência tem aumentado sendo, atualmente, da ordem dos 3 a 8 casos por 100.000 habitantes por ano. Como exemplo desta tendência temos os Estados Unidos, onde o risco de um indivíduo desenvolver um melanoma invasivo durante a sua vida era de 1 em 75 em 2010.

Melanoma em Portugal
Em Portugal observa-se o aumento da incidência dos cancros de pele os quais, em mais de 90% dos casos, estão relacionados com um passado de exposição exagerada ao sol. Atualmente, estima-se que em Portugal, a cada ano, a incidência de melanoma seja de oito novos casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 100 novos casos por ano.

Em que partes do corpo surge o melanoma?
A localização mais frequente do melanoma é, no sexo masculino, o tronco, em particular a segmento superior do dorso, e no sexo feminino as pernas e o segmento superior do dorso. Nos indivíduos de raça negra e asiática, o melanoma tende a surgir nas regiões palmares, plantares, unhas e nas mucosas.

Causas do melanoma
Estima-se que 80% dos cancros da pele sejam originados pela exposição solar intensa. A doença é geralmente desencadeada pela lesão dos constituintes da pele causada pelo sol, principalmente quando ocorrem queimaduras solares (escaldão). Um pequeno número de casos pode estar associado a fatores hereditário. Os solários podem também ser causa de cancro da pele e fotoenvelhecimento prematuro cutâneo.

Fatores de risco para o melanoma
Vários estudos epidemiológicos mostraram que a exposição ao sol é o principal fator de risco para o aparecimento do melanoma. Por este motivo as medidas preventivas em relação à exposição ao sol são recomendadas. A exposição à radiação ultravioleta no início da vida deve ser reduzida.

A tabela seguinte resume mais alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento do melanoma cutâneo:
Características da pigmentação cutânea
Olhos azuis
Cabelo louro, claro ou ruivo
Pele clara
Resposta à exposição solar
Tendência para formar sardas
Incapacidade em bronzear
Tendência para queimaduras solares
Grupo socioeconómico superior
História familiar de melanoma (10 a 15% dos pacientes com melanoma)
Mutação nos genes Braf e p16
Nevos prévios
Nevos melanocíticos (um terço dos melanomas surgem em nevos preexistentes)
Nevos displásicos
Nevos que se alteram
Nevos congénitos
História prévia de melanoma
Imunossupressão

Sintomas de melanoma
A cor dos melanomas pode variar entre o castanho ou preto, azul ou mesmo laranja. Os melanomas são, habitualmente, assimétricos, com bordos irregulares, de cor não uniforme e diâmetro superior a 0,6 milímetros. A pele em redor do sinal pode apresentar feridas, crostas ou vermelhidão. O tumor pode assemelhar-se a uma "bolha de sangue", pode dar comichão ou dor.

Os sinais de alarme são: 
  • Sinal pré-existente que muda de cor, tamanho ou forma ou que começa a sangrar;
  • Aparecimento de feridas, que curam muito lentamente; 
  • Sinal que se torne anormalmente grande;
  • "Bolhas de sangue" que apareçam sob as unhas e que não tenham resultado de uma agressão; 
  • Aparecimento de um sinal novo, principalmente após os quarenta anos, que apresente uma forma irregular ou uma cor anormal;
  • Aparecimento de comichão ou ardor num sinal pré-existente.

Nevo normal vs. melanoma
Um nevo normal tem uma coloração igualmente distribuída de cor castanha, cor de pele ou preto. Pode ser plano ou ligeiramente elevado. Pode ser redondo ou oval. Os nevos geralmente têm uma dimensão inferior a 6 milímetros em diâmetro. Um nevo pode aparecer durante a infância ou no início da adolescência. Vários nevos podem aparecer ao mesmo tempo, especialmente em áreas da pele expostas ao sol. Os nevos permanecem do mesmo tamanho, forma e cor ao longo de muitos anos, por vezes desaparecendo em indivíduos idosos. A maioria das pessoas tem nevos e a grande parte deles são inofensivos. Mas é extremamente importante reconhecer mudanças em nevos sugestivos de desenvolvimento de melanoma.

ABCD
A regra do ABCD pode ajudar a distinguir um nevo normal de um melanoma:
Assimetria: metade do nevo diferente da outra metade.
Bordo: os bordos do nevo são irregulares, nodulados e recortados.
Cor: a cor sobre o nevo não é uniforme. Pode haver diferentes tonalidades de castanho, preto e por vezes de vermelho, azul e branco.
Diâmetro: o diâmetro do nevo é maior que 6 milímetros.

Tanto o doente, ao fazer o autoexame, como o médico que realiza o exame físico objetivo, têm de estar atentos pois existem melanomas que não seguem as regras do ABCD descritas anteriormente. Alguns dos sinais e sintomas importantes adicionais são:
  • Rápido aumento de volume e/ou expansão;
  • Reforço da pigmentação;
  • Características da superfície, erosões e exsudado sanguinolento;
  • Reação inflamatória, dor ou prurido.

Atenção!
Uma lesão suspeita deve ser sempre vista por um médico dos cuidados primários ou, preferencialmente, por um dermatologista.

Como se desenvolve o melanoma?
O melanoma tem potencial para metastizar (disseminar-se à distância a outras partes do corpo) rapidamente. Se o tumor crescer em profundidade e penetrar nos vasos sanguíneos e/ou linfáticos pode provocar a morte em alguns meses ou poucos anos. A evolução varia muito de pessoa para pessoa e parece estar dependente da profundidade que o crescimento do tumor atingiu e das defesas do sistema imunitário e ainda outros fatores.

Formas de tratamento
O tratamento do melanoma é cirúrgico. O melanoma tem que ser totalmente removido e com margens de segurança confirmada pelo exame histológico da peça operatória.
Se o tumor não tiver metastizado e se proceder à sua remoção cirúrgica, a cura aproxima-se dos 100% nos melanomas "finos". No entanto, é preciso salientar que estas pessoas necessitam de controlos periódicos pois correm o risco de desenvolver outros melanomas.

Melanomas com metástases
Nos melanomas que já tenham metastizado, além da cirurgia, podemos ainda recorrer à quimioterapia (uso de medicamentos para destruir as células cancerígenas), à imunoterapia (uso de medicamentos que aumentam a resposta imunológica contra as células tumorais) e à radioterapia (uso de radiações em doses elevadas e de alta energia para destruir as células cancerígenas), embora os resultados nestes casos tenham baixo índice de cura.