quinta-feira, 31 de março de 2016

CONGELAR OS ALIMENTOS: UMA OPÇÃO SAUDÁVEL?

Para que os alimentos mantenham as suas propriedades nutricionais ao serem congelados, siga estes conselhos.
 
Bem usado, o congelador pode ser o melhor amigo das famílias. Facilita-nos a vida quando não temos tempo para cozinhar, possibilita-nos comer pão fresco todas as manhãs e permite-nos planificar menus para as próximas semanas cozinhando o mesmo prato uma única vez. Quando congelados devidamente, os alimentos conservam as suas propriedades nutricionais por muito tempo e, por isso, constituem uma opção saudável. Só tem de seguir estas 8 regras:

  1. A primeira regra todos conhecemos: uma vez descongelado o alimento/refeição, não volte a congelá-lo porque, dependendo das características dos alimentos, o seu tempo de vida em congelação será diferente.
     
  2. Os produtos refrigerados e congelados, idealmente, devem ser transportados em sacos térmicos de modo a manter a temperatura até chegar a casa.
     
  3. Se quiser congelar carne ou peixe crus, arranje-os como se os fosse cozinhar naquela altura, retirando peles, gordura visível, ossos/espinhas. Corte-os em pedaços do tamanho que vai precisar quando os confeccionar.
     
  4. Quando quiser congelar verduras cruas, lave-as, elimine as partes não comestíveis. De seguida, deve submergi-las em água a ferver entre 1 a 2 minutos e, depois, passá-las por água fria. Este processo destruirá as enzimas, reduzirá os microrganismos e ajuda a manter a cor dos produtos.
     
  5. Se vai congelar algo que acabou de cozinhar ou que sobrou do jantar, espere sempre que arrefeça antes de o colocar no congelador (e no frigorífico também). Se se tratar de um guisado ou um cozinhado que tenha molho, não encha demasiado o recipiente – o processo de congelação leva a que os alimentos dilatem.
     
  6. Existem frigoríficos que dispõem de um botão que permite a congelação rápida. Se não for esse o caso do seu frigorífico, e idealmente, aproximadamente 12 horas antes de congelar alguma coisa, regule o termóstato para a temperatura mais fria e mantenha-a por mais 24 horas após colocar os alimentos no congelador. Depois, volte a regular o termóstato para -18º (que deve ser a temperatura a que deverá estar habitualmente).
     
  7. Ao contrário do que se costuma dizer, não deve deixar um alimento/refeição à temperatura ambiente para que descongele. Se se tratar de verduras, pode confeccioná-los ainda congelados. Em relação a outros alimentos, transfira-os para o frigorífico na véspera de os consumir e, se se tratar de uma refeição guardada num recipiente, mergulhe-a em água quente. Pode usar o micro-ondas.
     
  8. Etiquete os alimentos e recipientes com comida que congela. Indique o que é e a data. De acordo com o guia prático «O essencial sobre alimentação saudável», da Deco Proteste, eis os prazos de conservação no congelador dos alimentos que mais consumimos:
  • 2 meses Salsinhas; carne picada.
  • 3 meses Pão; refeições cozinhadas; congelados de supermercado; peixes gordos (sardinha, salmão, carapau); marisco; bolos.
  • 6 meses Peixes magros; carne de porco; caça; manteiga e ovos; salgados e tartes.
  • 8 meses Carne de borrego; fruta em calda; queijo da Serra e outros queijos de pasta mole.
  • 10 meses Frango.
  • 12 meses A maior parte das verduras; carne de vaca.
     
Sabia que… 
Os congeladores de 3 estrelas apenas servem para conservar alimentos já congelados. Para congelar deve ter 4 estrelas. A descongelação do congelador deve ser um procedimento regular, pois previne a formação de gelo no interior que por sua vez provoca um aumento dos gastos de energia, para além de poder ser um meio de contaminação dos alimentos.

quarta-feira, 30 de março de 2016

VIVER COM A DIABETES

Ser diagnosticado com uma doença crónica muda a nossa vida mas pode tornar-nos mais fortes para lidar com as dificuldades.
 
A diabetes é a doença crónica mais frequente no mundo ocidental e, se não for tratada, pode provocar complicações graves. Aceitar a doença e aprender a viver com ela (e não para ela) nem sempre é simples mas constitui um passo essencial, tanto em termos psicológicos como ao nível prático, já que o controlo da doença é um aspecto fundamental para os diabéticos prevenirem as complicações e usufruírem de uma vida saudável.

Processo de adaptação
A diabetes vai provocar mudanças ao nível pessoal e profissional (alguém que tenha uma profissão muito exigente, que envolva trabalhar fora de horas, não fazer refeições a horas certas, vai ter que, necessariamente, reajustar os seus hábitos). Uma mulher diabética que queira engravidar também terá de ter cuidados específicos.

Informar-se sobre a doença
O diabético deve procurar reunir todo o conhecimento possível sobre a patologia e as suas eventuais complicações a curto, médio e longo prazo (hipoglicemia e hiperglicemia, pé diabético, retinopatia, entre outras). Isto é também útil para a pessoa sentir que controla a situação. Visto que a mudança de estilo de vida (uma alimentação adequada e a prática de exercício físico, a toma de medicação (oral ou insulina) e o controlo da glicemia são os pilares do tratamento da diabetes, é importante que o doente domine esta matéria e que consciencialize que é obrigatória uma modificação de comportamentos, em que a autovigilância é uma palavra-chave.

Diabetes e crianças
A diabetes tipo 1 é uma das doenças crónicas mais frequentes nas crianças (embora, actualmente, existam casos de diabetes tipo 2 em idades cada vez mais precoces) e, usualmente, é diagnosticada até ao final da adolescência - muitas vezes, de forma abrupta. Implica alterações imediatas na rotina e que a criança/adolescente tenha de integrar as várias medições diárias da glicemia, a medicação, as consultas e exames médicos regulares, o seguimento de um plano alimentar adaptado e a prática de actividade física, o que pode não ser fácil de aceitar.

Rede de apoio
Ter um filho diagnosticado com diabetes é, também, um choque para os pais. É aconselhável que estes se informem exaustivamente acerca da doença, falem com outros pais de diabéticos, partilhem as suas angústias, ouçam conselhos. O médico que acompanha a criança também poderá ajudar os pais a entenderem melhor a doença e como podem ajudar o filho (em termos práticos e psicológicos).
Os pais aceitarem a doença do filho é essencial para que o possam ajudar a introduzir as modificações necessárias na sua rotina, a tratar-se adequadamente, a não sentir-se "diferente" e a ter a vida de criança/adolescente a que tem direito.

Famílias mais saudáveis
Os avanços que se têm verificado nos tratamentos da diabetes, a melhor compreensão da doença e abordagem médica multidisciplinar, incluindo a consciencialização de que uma alimentação adequada e a prática de exercício físico fazem parte da terapêutica, tornam possível aos diabéticos viverem bem. Muitas vezes, a própria família do doente (principalmente no caso da diabetes em crianças e adolescentes) acaba por adoptar um estilo de vida muito mais saudável do que tinha anteriormente, ao partilharem o mesmo regime alimentar que o diabético e ao tornarem-se mais activos fisicamente.

Manual do diabético
Para que a diabetes esteja controlada, o doente deve:
  1. Ter uma alimentação saudável e fraccionada;
  2. Praticar exercício físico regularmente;
  3. Não fumar e não consumir bebidas alcoólicas;
  4. Fazer a auto vigilância da doença e a medicação que lhe foi prescrita;
  5. Não faltar às consultas e realizar todos os exames solicitados pelos médicos.

Sabia que...
De uma forma muito simplificada, a diabetes caracteriza-se pelo excesso de açúcar que circula no sangue, provocado pela secreção deficiente de insulina (diabetes tipo 1) ou pela resistência à acção da insulina (diabetes tipo 2).

segunda-feira, 21 de março de 2016

VARIZES: COMO PREVENIR E TRATAR


Por que surgem? Como podem ser tratadas?
 

O que são as varizes?
As varizes são veias dilatadas e tortuosas e facilmente identificáveis por se localizarem debaixo da pele. As varizes estão englobadas na denominação Doença Venosa Crónica (DVC).
 
Quais são as causas das varizes?
Existem diversas causas para o aparecimento de varizes. Uma delas é fraqueza congénita ou herdada das paredes das veias, que as torna facilmente dilatáveis pela pressão natural do sangue. A exposição ao calor, o sedentarismo, passar-se permanecer muito tempo de pé e o excesso de peso são outros fatores que podem favorecer o aparecimento de varizes. O próprio processo de envelhecimento é um fator de agravamento deste problema.
 
As varizes são um problema frequente?
Sim. Estima-se que em Portugal cerca de 25% da população sofra de doença venosa crónica. Devido à componente hormonal e à gravidez, as mulheres sofrem mais deste problema.
 
Quais são os principais sintomas de doença venosa crónica?
A dor é a principal queixa, que se pode manifestar através da sensação de pernas pesadas e cansadas, cãibras, dormência e comichão. Pode ainda verificar-se inchaço, sobretudo nos tornozelos e pés, que se intensifica ao final do dia ou quando ocorre uma exposição prolongada ao calor.
 
Como se diagnosticam as varizes?
O médico pode detetar as varizes através da observação clínica e, para determinar o seu estádio, pode realizar-se um doppler ou eco doppler, exames não dolorosos nem invasivos que devem ser efetuados por um especialista.
 
As varizes podem ser graves?
Quando surgem alterações na cor e consistência da pele e esta se torna acastanhada, descamativa e endurecida, estes podem ser os sinais precursores de uma úlcera varicosa, situação clínica incapacitante, de difícil tratamento, e com impacto significativo na imagem e autoestima.
 
Atualmente, que tratamentos existem para a Doença Venosa Crónica?
O tratamento deve ser feito por um especialista em Angiologia/Cirurgia Vascular.
A terapêutica conservadora abrange os cuidados diários de hidratação da pele, a administração de fármacos flebotónicos (que ajudam a circulação venosa) e o uso de meias elásticas ou ligaduras.
No grupo dos tratamentos não conservadores incluem-se a escleroterapia (injeta-se uma substância que vai destruir o vaso), a laserterapia (transcutânea ou endovascular), a radiofrequência e a cirurgia clássica (“Stripping”). De acordo com cada caso, o médico fará a opção terapêutica mais adequada.
 
A Doença Venosa Crónica pode ser prevenida?
Para evitar o aparecimento de varizes, adote estas medidas no seu dia-a-dia:
  • Hidrate o corpo diariamente;
  • Não use calças de ganga muito justas, ligas, cintas, meias que sejam muito apertadas na zona do tornozelo ou botas apertadas;
  • Não esteja muito tempo de pé, parado/a. Caminhe um pouco ou ponha-se em bicos de pés várias vezes;
  • Evite estar muito tempo sentado e com as pernas cruzadas, especialmente se as cadeiras tiverem um rebordo duro. Movimente as pernas regularmente;
  • Não tome banho com água muito quente;
  • Evite o excesso de peso, o tabaco e as bebidas alcoólicas;
  • Evite a exposição prolongada ao calor. Na praia, tente caminhar à beira-mar;
  • Nos dias mais quentes, massaje as pernas com água fria utilizando o chuveiro, de baixo para cima, durante cerca de 2 minutos;
  • Consulte um especialista em Cirurgia Vascular se tiver algum destes sintomas: dor, sensação de pernas pesadas e cansadas, cãibras, dormência, comichão ou inchaço que se agrava ao final do dia ou quando ocorre uma exposição prolongada ao calor.

quinta-feira, 17 de março de 2016

TENHO VERTIGENS, O QUE DEVO FAZER?

Diferentes de uma simples tontura, as vertigens podem ser sintoma de várias doenças e requerem conselho médico
 
De acordo a Harvard Medical School, a vertigem é diferente de uma tontura e caracteriza-se por uma falsa sensação de movimento ou de rotação. Muitas vezes, as vertigens fazem-se acompanhar de falta de equilíbrio, náuseas, vómitos e sudação excessiva. As vertigens são um motivo para consultar o médico, pois geralmente devem-se a problemas do foro da otorrinolaringologia ou da neurologia e requerem tratamento especializado.

Vertigens como sintoma
As vertigens estão associadas a várias doenças, sendo as mais frequentes:

Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) É a causa mais frequente de vertigem. Manifesta-se por episódios recorrentes de sensação de rotação, com duração de segundos, associados ou não a náuseas. É um tipo de vertigem posicional, causada por alterações da posição da cabeça, por exemplo, ao levantar e deitar na cama ou pela hiperextensão do pescoço. Não surgem outros sintomas como perda de audição ou acufenos.
A VPPB decorre da presença anormal de partículas (os chamados “cristais”) nos canais semicirculares do ouvido interno.
O tratamento, após confirmação do diagnóstico por um médico, consiste em recolocar estas partículas no utrículo através de manobras de reposicionamento.

Vertigem Migranosa ou Vertigem associada a Enxaqueca É o termo que descreve o episódio de vertigem nos doentes com o diagnóstico ou manifestações de enxaqueca. Estudos apontam para uma prevalência estimada de 1% durante a vida, predominantemente nas mulheres e nas crianças.
Normalmente surge de forma espontânea mas pode ser provocada por alterações da posição, stress ou privação de sono.
Evitar os factores que desencadeiam as enxaquecas e controlá-las medicamente alivia as vertigens.

Nevrite vestibular É uma doença do ouvido interno caracterizada por uma vertigem violenta de instalação súbita, com duração de minutos a horas, na ausência de queixas auditivas. Surge em pessoas anteriormente saudáveis, geralmente após uma infecção respiratória viral. Pensa-se que a inflamação do nervo vestibular (responsável pela condução dos estímulos do ouvido interno ao sistema nervoso central) é, ela própria, de origem viral.
Para além do tratamento médico adequado, deverá ser iniciada reabilitação vestibular o mais precocemente possível de forma a permitir uma recuperação total da função vestibular.

Labirintite A labirintite distingue-se do problema anterior pelo facto de existir perda auditiva (neurossensorial) associada. Resulta de uma infecção viral, otite média aguda ou otite média crónica.

Doença de Ménière Esta doença caracteriza-se pela ocorrência quase sempre simultânea de vertigem, acufeno, diminuição da audição e, por vezes, sensação de ouvido tapado.
Evolui por crises com duração variável, podendo ser de minutos até 1 ou 2 dias, após as quais permanecem a sensação de instabilidade ou vertigens menos intensas.
Pensa-se ser originada por um aumento da pressão da endolinfa no ouvido interno (hidrópsia endolinfática) e, deste modo, recomenda-se uma dieta hipossalina, evicção do café e de situações potenciadoras de stress. Nas situações de crise são prescritos medicamentos que visam aliviar os sintomas e diminuir a pressão da endolinfa.
O diagnóstico faz-se através da observação da evolução clínica e da avaliação funcional (vestibular e auditiva), devendo os doentes ser acompanhados numa consulta especializada.

Tratamento caso a caso
É muito importante que alguém que sofra de vertigens consulte o médico, para que este, através da história e observação clínicas e de exames complementares, possa identificar a sua origem e, assim, poder prescrever o tratamento adequado.

Atenção!
  Actividadesdo dia a dia como conduzir, praticar desporto ou trabalhar podem tornar-se difíceis e perigosas quando se tem vertigens. Podem também ocorrer quedas, pelo que não é aconselhável sair sozinho. O médico será o melhor conselheiro e a pessoa certa para ajudar a encontrar e tratar a causa das vertigens, permitindo ao doente retomar a sua rotina normal.

quarta-feira, 16 de março de 2016

PREVENIR A DEPRESSÃO PÓS-PARTO: 10 CONSELHOS

O que precisa de saber para que o período depois do parto não se transforme numa fonte de ansiedade.

Nos primeiros tempos que se seguem ao nascimento do bebé, é normal que a mãe se sinta cansada, insegura, emotiva ou ansiosa. Mas, geralmente, essas queixas desaparecem decorridas algumas semanas. Já a depressão pós-parto prolonga-se durante meses e é motivo para consultar um especialista.

As queixas mais comuns
Os sintomas associados à depressão pós-parto incluem sentimentos de tristeza profunda, «vazio», desesperança, impotência, ausência de prazer em actividades que antes eram apreciadas, falta de apetite e perda de peso ou, pelo contrário, aumento de apetite e de peso. Pode também ser difícil, para a mãe, criar uma ligação com o bebé.

Jogue pela antecipação e reforce as suas defesas físicas e emocionais
  1. Faça uma alimentação equilibrada e fraccione as refeições ao longo do dia, não estando em jejum mais de 3 horas. Mesmo se não estiver a amamentar, evite bebidas alcoólicas.
  2. Procure incluir alguma actividade física no seu dia, tal como um passeio no parque com o bebé. 
  3. A meditação ou outras técnicas de relaxamento também podem ser úteis.
  4. Não crie expectativas irrealistas. É perfeitamente normal que não consiga levar a cabo todas as tarefas que antes fazia. 
  5. Peça ajuda se precisar – ponha o orgulho de lado. 
  6. Obrigue-se a reservar algum tempo só para si. Peça a alguém da sua confiança que fique a tomar conta do bebé e vá dar um passeio, ver montras ou visitar uma amiga.
  7. Se algo estiver a correr mal, faça um esforço para manter uma atitude positiva.
  8. É importante que o casal tenha alguns momentos a sós – isto é, sem o bebé. 
  9. Não se isole nem guarde só para si aquilo que está a sentir.
  10. Na presença e persistência das queixas acima referidas, vá ao médico. O primeiro passo para se sentir melhor é iniciar o tratamento.

Sabia que…
As modificações hormonais que ocorrem depois da gravidez podem estar na origem da depressão pós-parto mas existem também factores de risco como já se ter tido uma depressão.

terça-feira, 15 de março de 2016

7 CONSELHOS PARA CONSUMIR MENOS SAL

A ingestão excessiva de sal contribui para o desenvolvimento de várias patologias. Proteja-se e à sua família.
 
O sódio é necessário para a actividade nervosa e muscular e para manter o equilíbrio de água no organismo. No quotidiano, o nosso consumo de sódio provém, geralmente, do cloreto de sódio.
Sabe-se que o sal (cloreto de sódio) tem 40% de sódio e que para além de estar presente no sal de cozinha ou de mesa, encontra-se também nos vários produtos industrializados que são consumidos diariamente, como pão, queijo, fiambre, cereais, bolachas, produtos enlatados…

Sal q.b.
No que toca a ingestão diária de sal, a Organização Mundial de Saúde recomenda o valor máximo de 5g (aproximadamente 2000 mg de sódio).
No entanto, uma pesquisa realizada por investigadores da Harvard School of Public Health concluiu que cerca de 75% da população mundial consome cerca do dobro da quantidade diária de sal recomendada. Portugal é um dos países europeus que mais sal consome.

Perigos do sal em excesso
São vários os estudos que associam a ingestão excessiva de sal à hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares e, até, cancro do estômago e do esófago. No nosso país, as doenças cardiovasculares e as doenças oncológicas são, respectivamente, a primeira e a segunda causa de morte. É fundamental, por isso, reduzir o consumo de sal. Vamos dar-lhe 7 conselhos:
  1. Em vez de sal, use ervas aromáticas, especiarias ou algumas gotas de limão ou laranja para confeccionador e temperar os alimentos. Faça esta mudança gradualmente, para que o paladar se vá habituando a níveis de sódio mais baixos. Às refeições, não coloque o saleiro na mesa.
  2. A fruta e os vegetais têm um teor de sódio muito baixo. Inclua-os sempre nas refeições.
  3. Opte, sempre que possível, por produtos frescos. A comida processada é rica em sódio e pobre em nutrientes. 
  4. Use gorduras saudáveis para cozinhar (azeite, por exemplo).
  5. Substitua o pão branco por pão escuro (com cereais integrais). 
  6. Limite o consumo de produtos de charcutaria, queijos curados, frutos secos salgados, batatas fritas de pacote, crustáceos, patés, cubos de caldo… Evite fast food, molhos (mostarda, Ketchup, soja, chili, molho inglês) e refeições pré-confecionadas, comida enlatada, refrigerantes…
  7. Antes de comprar um alimento, leia o rótulo. Se este fizer referência ao conteúdo de sódio, multiplique esse valor por 2,5 e vai obter o conteúdo em sal (cloreto de sódio). Ou seja, se um alimento contiver 0,4g de sódio, este valor corresponde a 1g de sal (20% do valor diário recomendado pela OMS). 

Sabia que…
Um estudo da autoria do Centro de Excelência de Hipertensão e Risco Cardiovascular do Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Alto Ave (CHAA) realizado numa escola de Guimarães, permitiu apurar que os alunos com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos consomem sal em excesso.

segunda-feira, 14 de março de 2016

OTITE SEROSA: a causa mais frequente de surdez infantil

O seu filho revela atraso na fala? Pede para colocar o som da televisão mais alto? Tem falta de atenção nas aulas? Então... poderá ter otite serosa.
 
A otite serosa consiste na presença de líquido seroso/ mucoso por detrás do tímpano, nas cavidades do ouvido médio, sem que hajam sinais inflamatórios agudos (febre, dor).

Quais as causas?
  1. Disfunção da trompa de Eustáquio - A trompa de Eustáquio é uma formação tubular que comunica o ouvido médio com o aparelho respiratório e que tem como funções o equilíbrio das pressões entre os ouvidos médio e externo, limpeza das secreções e protecção do ouvido médio.
  2. Inflamação crónica da mucosa do ouvido médio em resposta à presença de uma ou várias bactérias.
  3. Episódios infeccioso agudos de repetição

Que outros factores predisponentes existem?
  • Aleitamento artificial
  • Aleitamento na posição deitada
  • Frequência do infantário
  • Pais fumadores
  • Família numerosa com irmãos doentes

Como se manifesta a otite serosa?
  • Sensação de plenitude nos ouvidos ("ouvido tapado").
  • Diminuição da audição (a criança com 18 meses de idade deve já pronunciar a sua primeira palavra).
  • Normalmente, a otite serosa não é acompanhada de febre ou dor. A criança poderá ter dor muito ligeira.

Qual é o tratamento para a otite serosa?
A criança deve ser encaminhada para uma consulta de Otorrinolaringologia onde realizará exames e terapêutica dirigida a possíveis situações desencadeantes da otite serosa, nomeadamente, alergias, infecções respiratórias de repetição, adenoidite crónica, etc. Consoante a situação clínica, poderá haver necessidade de efectuar algum procedimento cirúrgico.

Quais são as complicações da otite serosa?
A otite serosa pode evoluir para outras formas de otite crónica com repercussão na audição e estado geral do doente. Pode haver necessidade de cirurgias mais complexas, muitas vezes sem garantias de recuperação total das características normais do ouvido.

Atenção!
A otite serosa caracteriza-se por uma surdez de transmissão, que quando resolvida ocorre recuperação da audição. No entanto, a persistência da otite serosa não sujeita a tratamento pode evoluir para uma surdez definitiva, pela libertação de mediadores inflamatórios tóxicos para o ouvido.

sexta-feira, 11 de março de 2016

MANTENHA O CÉREBRO ACTIVO

O declínio da memória é um fenómeno natural. No entanto, existem estratégias que nos permitem jogar pela antecipação e contrariá-lo.
 
É um facto: a nossa performance cognitiva costuma ressentir-se com o passar dos anos. Mas, a boa notícia que lhe vamos dar é que existem variadas formas de contrariar esse fenómeno, estratégias simples que podemos pôr em prática desde cedo e que nos permitem manter o cérebro activo.

O que os estudos dizem
Um estilo saudável é um aliado que nos permite preservar as capacidades cerebrais e, inclusive, prevenir vários tipos de demência. Neste contexto, uma dieta equilibrada e variada, em que os vegetais e a fruta estejam presentes e que seja pobre em sal, gorduras saturadas e açúcar, promove o bom funcionamento do cérebro.
Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Neurology, que envolveu mais de 17 000 pessoas saudáveis cuja média de idades rondava os 64 anos, apurou que a dieta mediterrânica (rica em peixe, vegetais e azeite e pobre em gorduras saturadas) reduzia, em 19%, o risco de problemas de memória.

Poder antioxidante
Um estudo norte-americano verificou que um grupo de idosos com algumas perdas de memória que consumiu, ao longo de 60 dias, dois copos e meio de sumo de mirtilos por dia, demonstrou melhores resultados em testes de memória do que o grupo de idosos que não bebeu o sumo. Os mirtilos são uma fonte privilegiada de substâncias antioxidantes, as quais se crê exercerem um efeito protector em relação a determinadas patologias.
Os ácidos gordos ómega 3, que se encontram em abundância no salmão, sardinha ou nozes são também uma classe de antioxidantes que deve integrar nos seus menus.

Actividade física
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Proceedings of the National Academy of Sciences, praticar exercício físico contribui para o aumento do volume do hipocampo (zona cerebral que é a principal estimuladora da memória e cujo volume costuma diminuir com o avançar dos anos).
A actividade física é detentora, igualmente, da capacidade de atenuar o stress – que, por sua vez, quando manifesta de forma continuada, afecta a concentração, a memória e o rendimento intelectual. Aprender meditação ou fazer ioga ou pilates pode também ser uma solução eficaz para gerir o stress.

Estimular o cérebro
Nunca é demasiado tarde para estimular o cérebro e exercitá-lo diariamente pode fazer a diferença:
  • Aprenda uma língua ou arranje um novo hobbie;
  • Experimente actividades diferentes, faça puzzles ou torne-se um expert em palavras cruzadas, no jogo Scrabble ou no Sudoku;
  • Ouça música, aprenda a tocar um instrumento musical ou dance: qualquer uma destas actividades estimula o cérebro;
  • Ensine os outros. Esta é uma óptima forma de reter informação – tem de a saber suficientemente bem de modo a conseguir explicá-la eficientemente;
  • Esteja consciente do que se passa à sua volta: ouça o barulho da água enquanto toma banho ou saboreie o leite que bebe ao pequeno-almoço;
  • Diga piadas. Esta é uma excelente forma de desafiar o cérebro, tal como ensinar. O sentido de humor pode ter efeitos muito positivos na memória;
  • Em vez de escrever uma lista de tarefas, visualize-a mentalmente, como se fosse uma imagem. A partir daí construa ramos, subcategorias, etc. Este exercício trabalha a imaginação e obriga-o a associar ideias e outras imagens.

Devo consultar um Neurologista?
Quando as perturbações de memória interferem nas actividades diárias de alguém, afectando a sua autonomia, pode significar que estamos perante um tipo de declínio mais preocupante do que a perda de memória associada ao avançar dos anos e é motivo para marcar uma consulta de Neurologia. Entre os principais sinais de alarme destacam-se:
  • Esquecimento de parte ou totalidade de um acontecimento;
  • Perder gradualmente a capacidade de seguir indicações por escrito ou verbais ou de acompanhar o enredo de uma série ou filme;
  • Não conseguir lembrar-se do que almoçou/jantou nesse dia.
  • Perder gradualmente a capacidade de se vestir ou tomar banho autonomamente;
  • Ter dificuldade em manter uma conversa, perdendo a linha de raciocínio ou não se lembrando de palavras;
  • Perder gradualmente a capacidade de tomar decisões e de gerir o dinheiro.

quinta-feira, 10 de março de 2016

EXERCÍCIO NA GRAVIDEZ

Praticar exercício físico durante a gravidez aumenta os níveis de energia, previne o excesso de peso e diminui o risco de diabetes gestacional, entre outras vantagens.
 
 
Se está grávida, talvez esteja a pensar que praticar exercício físico é a última coisa que lhe apetece: sente-se cansada, pesada e sem energia. Porém, os benefícios da atividade física durante os meses da gravidez são muitos e vale a pena o esforço inicial. Garantimos-lhe.
 
Antes de começar
O primeiro passo é consultar a sua Obstetra que, tendo em conta a sua história clínica e a eventual existência de complicações como, por exemplo, diabetes que não esteja controlada, pressão arterial elevada, doenças cardiovasculares ou placenta prévia (inserida perto do colo uterino), entre outras, avalia se a prática de exercício físico é segura para a grávida e para o bebé. 
 
Atividades ideais
Caminhar, nadar, pedalar numa bicicleta estática, fazer step ou praticar remo são boas opções. Pelo contrário, desportos radicais ou de contacto, mergulho, equitação ou exercícios que impliquem posições que pressionem a zona abdominal são desaconselhados.
 
Exercício sim, mas com moderação
Se não pratica exercício físico há algum tempo, a futura mãe deve começar por apenas cinco minutos no primeiro dia e ir aumentando o tempo gradualmente nos dias seguintes até alcançar os 30 minutos diários.
Antes de treinar, faça 5 minutos de aquecimento e 5 minutos de alongamentos. Repita os alongamentos no final.
 
10 conselhos essenciais
  1. A grávida deve usar vestuário prático e largo.
  2. É importante escolher um soutien que assegure o suporte adequado do peito.
  3. Utilize calçado adequado ao tipo de desporto que está a praticar, para evitar lesões.
  4. Se vai caminhar, opte por fazê-lo num terreno plano.
  5. Após fazer exercícios sentada ou deitada, levante-se devagar para evitar tonturas.
  6. Aconselhe-se com o seu Obstetra em relação ao número diário de calorias que deverá ingerir diariamente.
  7. Informe-se também junto do médico em relação ao que deve comer antes e depois de praticar exercício físico.
  8. Não coma nos 60 minutos que antecedem a atividade física.
  9. Assegure a ingestão suficiente de líquidos antes, durante e depois do exercício físico, para que o organismo se mantenha hidratado.
  10. Tenha cuidado com o ritmo. Faça este teste: se não for capaz conversar normalmente enquanto está a praticar exercício físico é sinal que deve abrandar.
 
Atenção!
Se sentir algum desconforto/dor pare. Se não passar, é conveniente consultar o seu Obstetra logo que possível

quarta-feira, 9 de março de 2016

O MEU FILHO NÃO COME... O QUE FAZER?

Ter um filho que não tem fome ou não gosta de nada é motivo de angústia para os pais. Leia estes conselhos com atenção.
 
Uma das principais dificuldades que os pais com crianças em idade pré-escolar (1 a 6 anos) têm está relacionada com os filhos terem falta de apetite e gostarem de poucos alimentos. Muitas vezes têm razão mas é preciso ter cuidado para que a preocupação não seja exagerada. O apetite diminui nesta fase porque, ao entrar no 2º ano de vida, o ritmo de crescimento da criança abranda e, por consequência, a sua necessidade de calorias diárias também. Isso reflete-se no seu apetite. A falta de apetite pode ocorrer por outros motivos, como por exemplo, para chamar a atenção, porque as crianças percebem a importância que os pais dão à refeição.
Ensinadas desde pequenas, as crianças podem aprender a gostar de qualquer tipo de alimento. Como mudar hábitos é sempre difícil, seguem abaixo algumas noções que os pais devem ter em conta e estratégias que ajudam a superar as dificuldades no que toca às refeições.
 
12 factos que não ajudam a que a criança coma bem
  1. Os pais oferecerem muita comida, sem terem em conta o tamanho do estômago da criança;
  2. O intervalo entre as refeições ser irregular, muito pequeno ou cheio de "petiscos". A criança não come porque não tem fome;
  3. Nestas idades, o mundo em redor é muito mais interessante e curioso e um ambiente barulhento e confuso durante a refeição não ajuda. A criança não consegue concentrar-se no ato de comer;
  4. A criança perceber que, se recusar a comida, os pais irão fazer diversos malabarismos para que ela coma. Ela prefere então divertir-se e não comer;
  5. Os pais ficarem tão aflitos porque os seus filhos não comem que trocam a refeição por lanches ou outras guloseimas. Quando a criança entende o processo, faz chantagem para receber o "prémio";
  6. Os pais fazerem promessas como "se comeres tudo, recebes um chocolate" só servem para superestimar o doce e diminuir o valor da comida;
  7. A comida não estar saborosa (sem sal e temperos). A criança está aborrecida porque quer ter prazer em comer;
  8. Repetir a ementa todos os dias. É natural que a criança acabe por se desinteressar pela comida;
  9. A ansiedade transmitida para que o filho se alimente, passando esta angústia para ele e interferindo na sua vontade de comer;
  10. Apesar de serem mais fáceis de ingerir, papinhas passadas não estimulam o bebé a mastigar e a reconhecer o sabor dos alimentos e não desenvolvem o paladar;
  11. Não respeitar o gosto da criança. As características funcionais das papilas gustativas são determinadas geneticamente. Isso significa que, ao nascer, a criança já tem algumas preferências (e aversões) alimentares que precisam ser tidas em consideração;
  12. A criança ter dentes a nascer. A gengiva fica sensível e é mais difícil mastigar os alimentos. Muita calma (e paciência) nesta fase!
 

Como podem os pais prevenir/resolver a falta de apetite?

  • Estabeleçam horários para as refeições e para os lanches, com intervalos de 2/3 horas para crianças entre 1 e 6 anos e de 3/4 horas para os que estão em fase escolar;
  • Não troquem a refeição principal por outro alimento. Se a criança não quiser comer, aguardem meia hora ou uma hora e ofereçam-lhe novamente a mesma comida. Se ainda assim ela recusar, esperem mais tempo até que ela dê sinais de estar com fome. Mas certifiquem-se de que gosta do que está a ser oferecido;
  • As crianças trocam facilmente a refeição por sumos. Por isso, os pais devem limitar a ingestão de líquidos (sumos e água) durante a refeição (antes ou depois dela podem permitir). A capacidade gástrica das crianças é limitada e não vale a pena enchê-las de líquido. Esperem que a criança coma parte da refeição para então oferecer sumo ou água;
  • Sejam um bom exemplo: a influência do ambiente em que ela vive, o exemplo dos pais e as experiências positivas ou negativas podem ser mais fortes que a genética;
  • Não insistam em demasia. Os pais acham quase sempre que o seu filho está a comer pouco e acabam por forçá-lo a comer mais do que ele precisa ou aguenta. A oferta de um volume de alimentos maior do que a capacidade gástrica da criança diminui o prazer de comer do bebé e aumenta a ansiedade dos pais para além de poder desencadear patologias, como a obesidade;
  • Evitem malabarismos como "o aviãozinho". Inventar técnicas para fazer o filho comer, como distrair com um brinquedo ou com a televisão ligada e camuflar o alimento não educam para o prazer de se comer bem. Podem até funcionar na hora, mas perdem rapidamente o seu efeito. A hora de comer é hora só de comer, prestando atenção aos sabores, texturas, aromas e cores;
  • Substituam o alimento recusado por outro do mesmo grupo nutricional. Se insistem nos brócolos mas o bebé cospe tudo ou provoca o vómito, tente dar espinafres. Rejeita o feijão? Ofereçam a lentilha ou o grão-de-bico. Insistir exageradamente num alimento específico pode diminuir o prazer de comer, reforçando a falta de apetite;
  • Não tenham medo de impor limites. Resistam às birras e estabeleçam limites, seguindo horários fixos para fazer as refeições e insistindo numa alimentação nutritiva;
  • Não cedam à chantagem da "greve de fome". Ele não quer comer o jantar e insiste em comer bolachas. Para não deixar o miúdo de barriga vazia, aceitam a chantagem e deixam-no "lambuzar-se" à vontade, depois de prometer que vai comer na próxima refeição. Sabem o que vai acontecer? No dia seguinte, o seu espertíssimo filho vai recorrer à mesma tática, negando-se a comer o que é certo, em troca dos seus alimentos preferidos;
  • Não deixem os lanchinhos estragarem a disciplina. À hora do almoço ele não quis comer nada, mas uma hora depois está a pedir o lanche e enche-se de bolachas. Não deixem! Sejam firmes: se a criança disse que estava sem fome ao almoço, vai ter de esperar até a hora certa do lanche e quando ela chegar, vai ter que se contentar com a quantidade correta, mesmo que a fome seja maior. Continua com vontade? Ensinem-lhe a guardar a "fome" para o jantar. Depois de alguns dias, o seu filhote vai perceber que não tem sorte com o jogo e é melhor comer o almoço inteiro para não ficar com vontade depois.

terça-feira, 8 de março de 2016

LEITE E DERIVADOS: sim ou não?

Actualmente, as opiniões sobre o leite não reúnem o consenso da comunidade científica.
Desde há muitas gerações que o leite e derivados são alimentos recomendados para todas as idades. O teor de cálcio, fósforo, magnésio, proteínas e vitamina B1 fazem do leite e derivados alimentos completos e o seu consumo diário é recomendado pelas mais reputadas organizações internacionais. No entanto, existe também uma corrente de especialistas que defende que o consumo de leite pode acarretar alguns riscos para a saúde.

O que diz a Roda dos Alimentos
Segundo a Roda dos Alimentos, o grupo dos lacticínios deve representar 18% dos alimentos que ingerimos diariamente - duas a três porções diárias. Em termos práticos, a população em geral deve ingerir duas porções de lacticínios diariamente, sendo que crianças e adolescentes devem consumir três porções diárias.
De acordo com a Roda dos Alimentos, uma porção de leite corresponde a 250ml de leite (uma chávena almoçadeira), a um iogurte líquido ou a um iogurte sólido e meio. Duas fatias finas de queijo, um quarto de queijo fresco (de tamanho médio) ou meio requeijão (de tamanho médio) são equivalentes a uma porção.

Os defensores da ingestão de leite e derivados
Existem estudos científicos que defendem que a ingestão diária de leite e derivados, nas doses recomendadas, pode contribuir para prevenir a osteoporose, hipertensão arterial e diabetes tipo 2. Em conjunto com uma higiene oral eficaz, poderá também prevenir cáries dentárias. Pensa-se ainda que a ingestão de leite ajuda a melhorar a qualidade do sono por conter triptofano, aminoácido associado à produção do neurotransmissor serotonina que, por sua vez, é usado na produção de melatonina, hormona do sono.

Lacticínios e cálcio
Assegurar a ingestão adequada de cálcio desde a infância até à idade adulta ajuda a tornar os ossos fortes e a abrandar a perda óssea que surge com o avançar da idade. No entanto, de acordo com a Harvard School of Public Health, não é claro que precisemos de tanto cálcio como aquele que é recomendado a nível geral e, por outro lado, que os lacticínios sejam a melhor fonte de cálcio para a maior parte das pessoas.

Os lacticínios podem fazer mal?
O mesmo organismo alertou para o facto de que, embora o cálcio e os lacticínios possam reduzir o risco de osteoporose e de cancro do cólon, consumi-los em doses elevadas poderiam aumentar o risco de cancro da próstata e, possivelmente, cancro do ovário. Para além deste facto, os lacticínios podem ser ricos em gordura saturada e retinol (vitamina A) que, em níveis elevados e, paradoxalmente, podem enfraquecer os ossos.
Desta forma, a Harvard School of Public Health recomendou que é prudente limitar a ingestão de leite e derivados para apenas uma a duas doses diárias, no máximo, associadas a uma dieta equilibrada - o que forneceria o aporte diário de cálcio recomendado através de outros alimentos que não lacticínios (como legumes de folha verde-escura, por exemplo). Aconselha também a prática de uma actividade física regular (caminhar ou correr, entre outras) como um factor essencial para construir e manter ossos fortes.

Devo limitar o meu consumo de leite e derivados?
Se tem dúvidas sobre se deve continuar a consumir leite e derivados, e porque cada caso é um caso, recorra ao seu nutricionista/dietista, que o poderá aconselhar.

*A ingestão de cálcio recomendada actualmente é de 1000mg diários entre os 19 e os 50 anos, 1200mg diários a partir dos 50 anos e 1300 mg diários para grávidas e lactantes.

segunda-feira, 7 de março de 2016

TENDINITE DO OMBRO: como prevenir e tratar

Saiba o que é, as causas e como prevenir. Perante os sintomas, consulte o médico.
 
Por definição, a tendinite é uma inflamação de um tendão. Um tendão é a estrutura através da qual um músculo se insere no osso, levando assim ao movimento das articulações. O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano. Por isso, depende muito do equilíbrio dos músculos que a fazem mover. O ombro tem quatro tendões à volta da cabeça do úmero e ao conjunto desses tendões chamamos coifa dos rotadores. Entre o músculo supra espinhoso e o osso acrómio existe uma bolsa para diminuir o atrito (bolsa sub acromial). Esta bolsa e o tendão do músculo supra espinhoso, em conjunto com a longa porção do bicípite, são as estruturas mais envolvidas em processos inflamatório.

Causas da tendinite
As causas de tendinite são múltiplas. Podemos dividi-las em causas intrínsecas e causas extrínsecas:

Causas intrínsecas:
  • Alterações genéticas;
  • Diferenças anatómicas;
  • Alterações da postura;
  • Presença de calcificações (tendinopatia calcificada).

Causas extrínsecas:
  • Uso intensivo do computador;
  • O trabalho com os braços acima do plano das omoplatas;
  • A prática de exercício físico de forma inadequada ou demasiadamente intensiva;
  • Transporte intensivo de pesos com os membros superiores.

Das causas aos sintomas
Todos estes factores levam a uma alteração do equilíbrio muscular que, por sua vez, leva ao início dos sintomas. Estes podem aparecer de três formas distintas:

  1. A forma mais comum é o aparecimento de dores ligeiras quando se executam determinados movimentos, como ir buscar um objecto ao banco de trás do carro, colocar o cinto de segurança ou vestir o casaco. Estas dores podem, progressivamente, ir-se agravando e começar a surgir dor nocturna que impede o sono ou dificulta o adormecer.
     
  2. Outra forma de apresentação é uma dor muito intensa sem causa aparente, que nos acorda de noite e não tolera nenhuma mobilização.
     
  3. A terceira forma é uma conjugação das duas anteriores. Abrange pessoas que têm dores perfeitamente toleráveis em algumas actividades, não procuram tratamento e um dia têm um episódio extremamente doloroso.

Consultar o médico
É muito importante que, quando os sintomas se manifestarem, peça ajuda. Se o quadro o permitir, deve evitar os movimentos que dão dor enquanto aguarda por uma consulta de especialidade. Se tiver uma dor muito aguda e intensa, pode ter necessidade de recorrer a um serviço de atendimento permanente para a debelar, sendo depois encaminhado para uma consulta.

Como tratar
O tratamento passa pelo controlo da dor e da inflamação mas, sobretudo, pela recuperação do equilíbrio entre os vários grupos musculares com a ajuda da fisioterapia para evitar que o quadro se repita.

Como prevenir a tendinite
No escritório deve existir uma ergonomia correta do local de trabalho que garanta uma altura correta da secretária, o apoio dos antebraços junto ao teclado, a colocação do rato de forma a permitir opera-lo com o cotovelo junto ao tronco, uma altura correta do ecrã e a execução de intervalos regulares são fundamentais.
Na actividade desportiva é necessário trabalhar a postura e manter fortalecidos e coordenados os músculos da coifa dos rotadores que exercem o controlo do funcionamento do ombro (peça ajuda no ginásio).

Ouça o seu ombro!
Aos primeiros sinais, e de acordo com a intensidade das queixas, procure ajuda e, se necessário, diminua temporariamente as suas actividades. E lembre-se: “Se não parar por si, o seu ombro para-o a si”.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Doença oncológica e alterações na imagem

Doença oncológica e alterações na imagem

As mudanças a nível da imagem têm impacto mas podem ser minimizadas com apoio multidisciplinar e especializado.
 
Os doentes com cancro podem sofrer alterações profundas na sua imagem. Consoante o tipo de doença, os tratamentos necessários e a condição particular de cada pessoa, poderão perder o cabelo, sofrer alterações ou pigmentação cutâneas, ter lesões visíveis, sondas ou ostomias (respiratórias, digestivas ou urinárias), entre outras mudanças.

No entanto, viver bem com cancro é mais fácil se houver um conhecimento antecipado destas alterações e quais os meios para as prevenir, suavizar ou tratar. O aconselhamento de imagem pode ser feito pela equipa de profissionais de saúde que segue o doente, como é o caso dos oncologistas, dermatologistas e enfermeiros, bem como por profissionais de imagem, como cabeleireiros e maquilhadores especializados nesta área.

Viver melhor com a doença
Os doentes que têm contacto com abordagens personalizadas de apoio de imagem têm sentido que esta é uma das formas de conseguirem viver melhor com a doença. Por exemplo, um doente que necessite de uma cirurgia ao cólon, mama ou pulmão, e que precisa de fazer apenas alguns meses de quimioterapia pode, facilmente e se for esse o seu desejo, e com apoio de bom aconselhamento e tratamento de imagem, manter a sua actividade profissional sem que ninguém perceba que está ou esteve a fazer quimioterapia.

Aconselhamento médico
O primeiro passo para antecipar eventuais alterações da imagem do doente oncológico e os meios para os minimizar envolve uma conversa sobre este tema junto do médico que o segue, para que possa esclarecer todas as dúvidas e discutir alternativas.

Aconselhamento dermatológico
Antes, durante e após o tratamento, o acompanhamento dermatológico pode ser uma mais-valia na prevenção e minimização dos efeitos indesejáveis. O dermatologista poderá ajudar a escolher os produtos mais adequados a cada momento e, através da observação clínica, detectar e tratar precocemente os efeitos indesejáveis que podem ocorrer, por exemplo, como consequência da quimioterapia ou radioterapia.

Aconselhamento estético
Os profissionais da imagem têm uma vasta experiência técnica, sendo que alguns deles se têm dedicado exclusivamente às alterações de imagem dos doentes com cancro. Estes profissionais têm criatividade e recursos muito interessantes que surpreendem, muitas vezes, os próprios profissionais de saúde da área do cancro. Estes profissionais dominam as inúmeras técnicas e fontes de informação disponíveis, concentram-nas em pequenas dicas e truques para lidar com estas transformações e, num atendimento específico, em contexto próprio, ensinam, implementam e avaliam a eficácia das técnicas.