segunda-feira, 27 de junho de 2016

COMO PREVINIR A DIABETES GESTACIONAL

Estima-se que uma em cada 20 grávidas possa sofrer deste tipo de diabetes. Aprenda como preveni-la.
 
O que é a diabetes gestacional?
Trata-se de um tipo de diabetes que surge durante a gravidez e, geralmente, desaparece quando esta termina.

Quais podem ser as consequências da diabetes gestacional?
O risco de hipertensão ou a maior taxa de cesariana, pela probabilidade de o bebé nascer com um peso acima da média (feto macrossómico). A diabetes gestacional não é causa de malformações fetais, como é o caso da diabetes não gestacional que pode apresentar maior taxa de malformações se a grávida não tiver a sua diabetes controlada no início da gravidez (4 vezes superior ao normal).
É importante a grávida com diabetes ter um valor de Hb A1C controlado na pré-conceção, pois este valor avalia o controle da glicemia (açúcar no sangue nas 6 semanas precedentes).

Quais são os fatores de risco para a diabetes gestacional?
A idade e ter antecedentes familiares de diabetes são fatores de risco que não se podem evitar.

Quais são os fatores de risco controláveis?
A prevenção da diabetes gestacional assenta no controlo do peso da grávida, com o objetivo de manter um peso adequado através de uma alimentação equilibrada.

Que tipo de alimentação ajuda a prevenir a diabetes gestacional?
As refeições devem ser fracionadas (um total de cerca de 6 refeições por dia), com intervalos não superiores a 3 horas – o que permite manter os níveis de açúcar no sangue estáveis. A ingestão diária de açúcar não deve exceder os 20g.

Como é feito o diagnóstico de diabetes gestacional?
O diagnóstico é realizado através de análises específicas (prova de sobrecarga de açúcar) no segundo e terceiro trimestres da gravidez. Se a grávida tiver fatores de risco, a análise é feita logo no primeiro trimestre.
Quando termina a gravidez, após 6 a 8 semanas, é feita uma nova análise de diagnóstico com o objetivo de apurar se a diabetes desapareceu, como é esperado. As mulheres com diabetes gestacional têm maior probabilidade de mais tarde virem a ter diabetes do adulto.

Que cuidados de vigilância é que a diabetes gestacional requer?
Implica que sejam tomadas medidas de precaução para evitar complicações para que a diabetes não permaneça no organismo finda a gravidez. Estas medidas envolvem uma readaptação da dieta através de um plano alimentar específico indicado pelo médico e prática de exercício físico.

Que alimentos devem ser evitados?
O plano alimentar visa prevenir/eliminar o excesso de açúcar no sangue. Isto implica evitar alimentos ricos em açúcar como bolos, chocolates e refrigerantes (entre outros), mas também reduzir a ingestão de pão, massa, batata e arroz.

É necessário controlar os níveis de glicemia diariamente?
A grávida deve medir a glicemia depois de cada refeição, o que permite avaliar se o plano alimentar está a ser eficaz para diminuir os níveis de açúcar no sangue ou se é necessário recorrer à administração de insulina.
Este controle diário da glicemia é feito sempre nas mulheres com diabetes a fazerem insulina.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

SABE MESMO PROTEGER-SE DO SOL?

Todos os passos que asseguram uma protecção solar eficaz. Dos zero aos 100
Nunca é demais relembrar os perigos do sol e o que podemos fazer para nos protegermos adequadamente. Assim, a melhor protecção para a pele começa no uso de roupa adequada (camisola, calças, chapéu). As zonas da pele não cobertas por roupa deverão ser protegidas com um protector solar contendo filtros para UVA e UVB. Durante as primeiras exposições ao sol recomenda-se o uso de um protector com Factor de Protecção Solar (FPS ou SPF) igual ou superior a 30.

Como prevenir as queimaduras solares

  • Em primeiro lugar, deve conhecer bem o seu tipo de pele. Têm maior risco as pessoas de pele clara com muitas sardas e sinais, cabelos claros ou ruivos e que não se bronzeiam ou bronzeiam mal. 
  • Evite o excesso de exposição ao sol, especialmente entre as 11 e as 16 horas;
  • Utilize sempre protector solar adequado ao seu tipo de pele e que proteja dos raios nocivos. Mesmo depois de já estarmos bronzeados devemos continuar a usar protector solar; 
  • Use vestuário, chapéu e óculos de sol, principalmente entre as 11 e as 16 horas.

10 perguntas sobre protecção solar
Se nunca fez estas perguntas, aproveite agora para saber as respostas que o vão proteger dos efeitos nefastos do sol

1. Num protector solar, qual é função dos filtros químicos?
Os protectores solares atenuam a transmissão da radiação e têm na sua composição filtros químicos e físicos. Os filtros químicos, como o mexoril e o tinosorb, penetram na pele e absorvem parte do espectro da radiação solar lesiva, transformando a sua energia em formas inofensivas.

2.    E dos filtros físicos?
Os filtros físicos, como o dióxido de titânio e o óxido de zinco, formam uma fina película sobre a pele, reflectindo a radiação solar. São os ecrãs físicos que conferem a coloração branca e o aspecto opaco dos protectores solares. O desenvolvimento de partículas de dióxido de titânio de menor dimensão (nanopartículas) tem melhorado o aspecto cosmético dos protectores solares.

3. O que é o factor de protecção solar (FPS)?
O factor de protecção solar (apresentado pelos protectores solares existentes no mercado) é determinado com base na razão entre as quantidades de radiação UV necessárias para que ocorra a queimadura solar, com protector solar e sem protector solar. Por outras palavras, se a pele não protegida tiver uma queimadura solar após 10 minutos de exposição solar, com a aplicação de um protector solar com um FPS 10 a mesma pele terá uma queimadura solar após 100 minutos e com um FPS 30 ao fim de 300 minutos (minutos necessários para ter uma queimadura solar a multiplicar pelo FPS). É importante saber que este efeito de protecção não aumenta linearmente com o FPS. Por exemplo, um FPS de 10 reduz em cerca de 85% a radiação UVB, um FPS de 20 em cerca 95% e um FPS de 30 reduzirá adicionalmente apenas um pouco mais.

4. Como devemos aplicar o protector solar?
Tão importante quanto a escolha do produto é a sua correta aplicação. Por exemplo, para se conseguir a protecção indicada com o «factor de protecção solar», é necessária uma quantidade de 2mg/cm². Para cobrir todo o corpo, pode ser necessário até metade de uma embalagem pequena. Acresce que esta quantidade deve ser aplicada 30 minutos antes do início da exposição solar (de preferência antes de sair de casa), de 2 em 2 horas durante a exposição solar e sempre após os banhos de mar ou piscina.

5. Quando devemos aplicar o protector solar? 
Devemos aplicar protector solar sempre que nos expomos à radiação solar. O protector solar não deve ser aplicado unicamente na praia ou na piscina, mas sim durante todas as actividades quotidianas (profissionais e lúdicas). 60 minutos de sol na praia têm o mesmo efeito na pele que 60 minutos de sol a praticar ciclismo ou 60 minutos de sol no exercício de uma actividade profissional na rua de uma localidade.

6. O factor de protecção solar protege-nos contra a radiação UVB e UVA?
O «factor de protecção solar» refere-se à protecção para a radiação UVB (que causam queimaduras solares) mas não à radiação UVA (que contribui de forma significativa para agravar o risco de cancro cutâneo e o envelhecimento da pele). Ainda não existem métodos de ensaio uniformes para comparar a intensidade da protecção anti-UVA, utilizando cada fabricante o seu próprio método para medir e indicar o índice de protecção.

7. Existem protectores solares que garantam uma protecção total?
Não existem protectores solares que ofereçam protecção total. Apesar de ser frequente encontrarmos indicações como «proteção total» e «ecrã total», nenhum produto deste tipo protege completamente contra as radiações UV, o que obriga a respeitar as outras regras de protecção solar, nomeadamente, a utilização de vestuário e o cumprimento de correto horário de exposição solar.

8. Os protectores podem mesmo ser «resistentes à água» (ou water resistant)?
Não existem protectores completamente resistentes à água, pelo que é necessário reaplicar o protetor solar após os banhos. De salientar, ainda, que a radiação UV penetra até 50 cm na água. Este fenómeno é responsável por queimaduras solares na face, ombros e dorso de indivíduos enquanto se banham ou nadam, facto que pode ser evitado com a utilização de protectores solares.

9. Que tipo de protector solar devemos escolher para um bebé/criança?
Devem ser escolhidos protectores solares hipoalergénicos, dando-se preferência aos filtros físicos. Os produtos de protecção solar não devem dar a impressão enganosa de que podem proteger suficientemente bebés e crianças pequenas. Os bebés não devem estar expostos directamente à radiação solar devendo, além da aplicação do protector solar e do cumprimento de um correto horário de exposição solar, ser protegidos com vestuário e chapéu de sol.

10. A aplicação de protector solar deve sempre ser acompanhada de outras medidas?
Devemos, sem dúvida, utilizar produtos de protecção solar e recomenda-se a escolha de protectores solares contra radiações UVA e UVB. É importante que os consumidores saibam que os produtos de protecção solar devem ser apenas uma entre várias medidas de protecção contra as radiações solares UV, como:
  • Evitar exposições prolongadas nas horas de maior intensidade solar;
  • Não dispensar a t-shirt, o chapéu e os óculos de sol;
  • Não expor bebés e crianças pequenas à luz solar directa. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Compreender a Síndrome de Défice de Atenção e Hiperatividade

Perceber melhor esta perturbação é essencial para ajudar a criança
 
É uma perturbação do desenvolvimento caracterizada por um grau de desatenção inapropriado para a idade da criança, à qual se pode associar, ou não, hiperatividade e impulsividade.
Ocorre em diferentes contextos sociais, perturbando o desempenho da criança a nível pessoal e académico, sendo as principais consequências dificuldades de aprendizagem e problemas comportamentais. Antes de julgar, e para conseguir ajudar estas crianças, é necessário compreender a situação.

Causas e tipos de Síndrome de Défice de Atenção e Hiperatividade
A causa é multifatorial, envolvendo fatores orgânicos (origem neurobiológica), genéticos e ambientais.
Consoante os sintomas que predominam, consideram-se 3 tipos: desatento, hiperativo/impulsivo e misto.
  • As crianças desatentas apresentam dificuldade em manter a concentração em determinadas tarefas, não prestam atenção aos detalhes, parecem não entender as ordens ou instruções dadas, perdem objectos e distraem-se facilmente com estímulos sem importância.
  • Os meninos hiperativos parecem movidos por uma fonte de energia inesgotável, mexendo constantemente as mãos e pés e não conseguem participar em jogos ou actividades de uma forma calma. É frequente o aumento do risco de acidentes.
  • A impulsividade reflecte-se na dificuldade da criança em esperar pela sua vez e seguir regras. Respondem a perguntas que não foram completadas e intrometem-se nas actividades dos outros, interrompendo conversas e jogos. Tomam atitudes repentinas, inesperadas ou desajustadas à situação, são teimosas, com baixa tolerância à frustração e com instabilidade do humor, sendo difícil aos adultos que lidam com elas controlar os seus acessos de raiva.

Importância do diagnóstico precoce
É muito importante que seja feito o diagnóstico adequado e o mais precocemente possível. Para validar a suspeita clínica, e posteriormente avaliar a eficácia da terapêutica, pode-se recorrer ao uso de questionários, que são preenchidos pelos pais e professores e que permitem obter o perfil da criança.

Tratamento multidisciplinar
O tratamento é realizado por uma equipa multidisciplinar, onde os pais e os professores são elementos fundamentais. É importante definir objectivos reais e estabelecer prioridades. Pretende-se melhorar as relações sociais e as competências académicas.

Terapêutica
A terapêutica assenta em dois pilares: farmacológica (metilfenidato) e psicoterapia. Em termos isolados e a curto prazo, a mais eficaz é a farmacológica, mas a longo prazo a combinação das duas é a indicada. Os complementos orais com ómega 3 podem ser usados principalmente em crianças pequenas e casos muito ligeiros de défice de atenção.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

PERDA DE AUDIÇÃO: OS SINAIS DE ALARME

Conheça os principais sinais associados à perda de audição e aconselhe-se com um especialista
 
Sabia que apesar de a perda de audição ser uma situação muito frequente, temos mais facilidade em detectá-la nos outros do que em nós próprios? Por isso, é importante saber reconhecer os sinais de alarme para que o problema possa ser diagnosticado e tratado precocemente.

Perda de audição progressiva: os sinais de alarme
Segundo o National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (EUA), o NHS Choices (Reino Unido) e a Mayo Clinic (EUA), os sinais de alarme mais comuns que alertam para a perda de audição progressiva no adulto são:
  • Dificuldade em ouvir o que lhe dizem ao telefone
  • Não ouvir a campainha da porta
  • Achar que os sons estão "abafados"
  • Ter de esforçar-se para perceber uma conversa
  • Pedir frequentemente para as pessoas repetirem o que estão a dizer ou para falarem mais alto, mais devagar e de forma mais clara
  • Dificuldades de concentração em reuniões, conversas com mais de um interlocutor ou em locais públicos em que exista barulho de fundo
  • Os seus familiares queixarem-se que o som da televisão, aparelhagem ou o toque do seu telemóvel está sempre muito alto

Consulte um especialista
É importante estar atento aos sinais de alarme e consultar um otorrinolaringologista se sente que a perda de audição está a interferir nas suas actividades diárias, deixando de participar em conversas e começando a evitar eventos sociais por ter dificuldade em perceber o que as pessoas dizem. De acordo com a Mayo Clinic, a perda de audição tem um impacto significativo na nossa qualidade de vida, podendo gerar ansiedade e a sensação (errada) de que os outros estão zangados connosco e conduzir mesmo a estados de depressão.

Diagnóstico e tratamentos
O otorrinolaringologista poderá diagnosticar o seu problema através de exames complementares que serão pedidos de acordo com a sua situação clínica (audiometria, otoemissões acústicas, impedancimetria, potenciais evocados, entre outros exames) e aconselhá-lo em relação ao tratamento mais adequado consoante a causa da perda de audição e o grau desta. O tratamento pode ir desde os procedimentos mais comuns como a remoção do cerúmen, até diversos procedimentos cirúrgicos ou a adaptação de um aparelho auditivo (que amplifica o som e o direcciona para o ouvido). Actualmente, o Implante Coclear (IC), dispositivo electrónico que estimula o nervo auditivo directamente, também é uma opção para crianças e adultos que se integrem em critérios de selecção muito específicos (surdez neurossensorial severa-profunda bilateral/unilateral, entre outros).

Atenção!
A perda repentina de audição (que é, muitas vezes, acompanhada de tonturas ou de zumbido no ouvido) pode instalar-se no decorrer de algumas horas ou dias, é motivo para consultar o otorrinolaringologista de imediato. Pode ter diversas causas e é fundamental ser tratada precocemente porque a possibilidade de recuperar a audição depende em muito da rapidez com que se inicia o tratamento.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

INCONTINÊNCIA URINÁRIA: O QUE É E COMO TRATAR?

Saiba tudo sobre a incontinência urinária e conheça as causas e tratamentos possíveis.
 
A incontinência urinária consiste na perda involuntária de urina pela uretra. A sua origem varia consoante o sexo ou grupo etário que afecta, mas é normalmente associada à população idosa, podendo levar a problemas graves como úlceras e infecções dos rins ou da bexiga. É uma condição que, pelo estigma social que transporta, leva quem dela sofre a manter-se em silêncio por achar que faz parte do processo natural do envelhecimento. No entanto, nem sempre é este o caso.

Factores de risco
Contrariamente ao que se pensa, a incontinência urinária pode afectar qualquer pessoa, embora seja certo que se verifica uma maior incidência em certos grupos. Os principais factores de risco para o desenvolvimento de incontinência urinária:
  • Idade avançada;
  • Sexo feminino (corresponde a 85% dos doentes com esta patologia);
  • Alterações hormonais consequentes de gravidez e menopausa;
  • Obesidade.

Tipos de incontinência
Dependendo da forma como esta se apresenta, existem três tipos principais de incontinência:
  1. Incontinência por bexiga hiperativa (urgência)
    Caracteriza-se por vontades imperiosas e súbitas de urinar, associadas a aumento de frequência urinária e a perdas de urina. É com frequência associada a infeções urinárias, litíase, patologia específica da parede vesical, ou perturbações mentais como a ansiedade e demência.
     
  2. Incontinência por esforço
    Consiste na perda de urina em simultâneo com esforço muscular, como tossir, espirrar, rir ou fazer qualquer outra acção que leve a um aumento de pressão nos músculos do abdómen. Pode ter como causa, na mulher, uma hipermotilidade da uretra secundária a alterações hormonais, gravidez ou parto e idade. No homem, é habitualmente secundária à cirurgia da próstata.
     
  3. Incontinência por regurgitação (extravasamento)
    É secundária a uma retenção crónica de urina. Ocorre quando existe uma fuga de pequenas quantidades de urina, quando a bexiga está demasiado preenchida devido a um aumento de pressão. É normalmente causada por uma obstrução urinária, provocada mais frequentemente por patologia prostática, ou perda de força dos músculos da parede da bexiga, provocado por patologia neurológica.
A incontinência pode também ser mista, apresentando características de vários tipos diferentes, ou total quando existe uma perda contínua de urina durante um longo período de tempo.

Sinais de alarme
O principal sintoma da incontinência é a perda involuntária de urina, cujo volume pode apresentar grandes variações. Outros sintomas comuns do problema:
  • Necessidade frequente de urinar;
  • Sensação de bexiga cheia depois de urinar;
  • Perda de força do jato urinário.

Como tratar a incontinência urinária
O tratamento vai depender do tipo de incontinência.
Na incontinência urinária de esforço pode passar, em grande parte, pela reeducação comportamental, eletroestimulação ou através de uma pequena cirurgia minimamente invasiva que consiste na colocação de uma rede suburetral.
Para tratamento da incontinência de urgência, utilizam-se frequentemente fármacos que controlam a hiperatividade do detrusor, de toma oral ou mesmo através da aplicação intravesical.
Na incontinência urinária de regurgitação, o tratamento passa em grande parte pela remoção do obstáculo.

Atenção!
A incontinência é, na maior parte dos casos, uma doença curável e de fácil tratamento, em especial quando detectada numa fase inicial. Se suspeita que pode sofrer de incontinência urinária, consulte um médico urologista.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

CATARATAS: OS PRIMEIROS SINAIS DE ALARME

A identificação precoce das cataratas pode ser importante para o seu eficaz tratamento.
 
Chama-se catarata e é uma das principais causas de cegueira no mundo, podendo afectar apenas um ou ambos os olhos. Ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde a transparência e se torna opaco, dificultando a passagem da luz. A névoa que a partir daí se instala diminui, por sua vez, a qualidade da visão. Embora problemática, a catarata pode, no entanto, ser tratada, pelo que deve manter-se atento a pequenas alterações na visão, a fim de a identificar o mais cedo possível.

Factores de risco
Na maioria dos casos, as cataratas surgem em pessoas com mais de 60 anos. A doença decorre, nestes casos, do envelhecimento natural do organismo. Existem, contudo, outros fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento:
  • Exposição prolongada a raios ultravioleta;
  • Radioterapia;
  • Traumatismo ocular ou outros tipos de lesões nos olhos;
  • Diabetes;
  • Elevado consumo de tabaco ou álcool.

Primeiros sinais de alarme
Os sintomas das cataratas costumam ser, numa primeira fase, quase impercetíveis. A doença provoca a diminuição da visão, mas o processo leva o seu tempo. Para a identificar precocemente, esteja atento a variações subtis na qualidade da sua visão:
  • Visão parcialmente nublada;
  • Diminuição da visão diurna em alguns casos específicos (sensação de névoa no pico de luminosidade);
  • Diminuição da visão nocturna numa fase mais avançada;
  • Maior sensibilidade à luz ou ao brilho;
  • Menor capacidade de distinguir cores;
  • Observação de halos em torno das luzes;
  • Visão turva ou dupla;
  • Necessidade de mudar com frequência a graduação dos óculos.

O que fazer
Se suspeita que pode ter cataratas, deve marcar uma consulta com um médico Oftalmologista. Quando detectada numa fase inicial, a doença pode ser contrariada recorrendo a métodos relativamente simples:
  • Óculos e lentes de contacto;
  • Adopção de lupas ou lentes antirreflexo;
  • Utilização de iluminação adequada.

Enquanto a doença não prejudicar as suas rotinas diárias ou a sua actividade profissional, estes mecanismos podem servir de solução. A cirurgia às cataratas, através da qual estas são removidas e substituídas por lentes artificiais, continua, no entanto, a ser o único tratamento definitivo para a condição. Hoje em dia, aproveita-se o momento da cirurgia para proporcionar independência de utilização de óculos para longe e, por vezes, também para perto, através da utilização de Lentes Premium. Para além de se retirar a opacidade, corrige-se o problema refrativo de forma definitiva com uma só cirurgia.

Atenção!
A incidência directa e prolongada de raios solares nos olhos pode provocar cataratas. Mantenha-se protegido das radiações com óculos de sol capazes de abrigar os seus olhos dos raios ultravioletas. Evite ainda a exposição exagerada ao sol.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

VARIZES: COMO PROCEDER E TRATAR

Por que surgem? Como podem ser tratadas?

O que são as varizes?
As varizes são veias dilatadas e tortuosas e facilmente identificáveis por se localizarem debaixo da pele. As varizes estão englobadas na denominação Doença Venosa Crónica (DVC).

Quais são as causas das varizes?
Existem diversas causas para o aparecimento de varizes. Uma delas é fraqueza congénita ou herdada das paredes das veias, que as torna facilmente dilatáveis pela pressão natural do sangue. A exposição ao calor, o sedentarismo, passar-se permanecer muito tempo de pé e o excesso de peso são outros fatores que podem favorecer o aparecimento de varizes. O próprio processo de envelhecimento é um fator de agravamento deste problema.

As varizes são um problema frequente?
Sim. Estima-se que em Portugal cerca de 25% da população sofra de doença venosa crónica. Devido à componente hormonal e à gravidez, as mulheres sofrem mais deste problema.

Quais são os principais sintomas de doença venosa crónica?
A dor é a principal queixa, que se pode manifestar através da sensação de pernas pesadas e cansadas, cãibras, dormência e comichão. Pode ainda verificar-se inchaço, sobretudo nos tornozelos e pés, que se intensifica ao final do dia ou quando ocorre uma exposição prolongada ao calor.

Como se diagnosticam as varizes?
O médico pode detectar as varizes através da observação clínica e, para determinar o seu estádio, pode realizar-se um doppler ou eco doppler, exames não dolorosos nem invasivos que devem ser efectuados por um especialista.

As varizes podem ser graves?
Quando surgem alterações na cor e consistência da pele e esta se torna acastanhada, descamativa e endurecida, estes podem ser os sinais precursores de uma úlcera varicosa, situação clínica incapacitante, de difícil tratamento, e com impacto significativo na imagem e auto estima.

Actualmente, que tratamentos existem para a Doença Venosa Crónica?
O tratamento deve ser feito por um especialista em Angiologia/Cirurgia Vascular.
A terapêutica conservadora abrange os cuidados diários de hidratação da pele, a administração de fármacos flebotónicos (que ajudam a circulação venosa) e o uso de meias elásticas ou ligaduras.
No grupo dos tratamentos não conservadores incluem-se a escleroterapia (injectar-se uma substância que vai destruir o vaso), a laserterapia (transcutânea ou endovascular), a radiofrequência e a cirurgia clássica (“Stripping”). De acordo com cada caso, o médico fará a opção terapêutica mais adequada.

A Doença Venosa Crónica pode ser prevenida?
Para evitar o aparecimento de varizes, adopte estas medidas no seu dia-a-dia:
  • Hidrate o corpo diariamente;
  • Não use calças de ganga muito justas, ligas, cintas, meias que sejam muito apertadas na zona do tornozelo ou botas apertadas;
  • Não esteja muito tempo de pé, parado/a. Caminhe um pouco ou ponha-se em bicos de pés várias vezes;
  • Evite estar muito tempo sentado e com as pernas cruzadas, especialmente se as cadeiras tiverem um rebordo duro. Movimente as pernas regularmente;
  • Não tome banho com água muito quente;
  • Evite o excesso de peso, o tabaco e as bebidas alcoólicas;
  • Evite a exposição prolongada ao calor. Na praia, tente caminhar à beira-mar;
  • Nos dias mais quentes, massaje as pernas com água fria utilizando o chuveiro, de baixo para cima, durante cerca de 2 minutos;
  • Consulte um especialista em Cirurgia Vascular se tiver algum destes sintomas: dor, sensação de pernas pesadas e cansadas, cãibras, dormência, comichão ou inchaço que se agrava ao final do dia ou quando ocorre uma exposição prolongada ao calor.

terça-feira, 26 de abril de 2016

SOU ALÉRGICO AO PÓLEN. E AGORA?

A primavera chegou e o pólen anda no ar, para desespero dos alérgicos. Mas não desespere, há formas de evitar o desconforto.
 
Para algumas pessoas, é certo como um relógio: a primavera chega acompanhada de espirros, comichão nos olhos e no nariz, tosse e dificuldade em respirar. Os "culpados" são geralmente os minúsculos grãos de pólen provenientes de gramíneas ("fenos"), ervas daninhas e árvores, que nessa época se encontram espalhados pelo ar, transportados pelo vento. Para os alérgicos, que o podem ser apenas a um género específico de pólen ou a vários tipos, é uma fonte de desconforto difícil de evitar.

Sintomas da alergia
Os pólenes, em indivíduos sensibilizados de qualquer grupo etário e que contra eles produzem anticorpos, tanto podem provocar sintomas de rinite ou conjuntivite alérgica como de asma. Quando o pólen entra nas vias respiratórias de uma pessoa alérgica, o seu sistema imunitário procura combater a substância estranha, activando células que libertam histamina e muitos outros mediadores no corpo, o que desencadeia o aparecimento de sinais e sintomas de uma reacção alérgica, que pode incluir:
  • Tosse;
  • Pieira;
  • Espirros;
  • Olhos lacrimejantes;
  • Nariz a pingar;
  • Comichão nos olhos e no nariz;
  • Congestão nasal;
  • Garganta irritada;
  • Vermelhidão e comichão na pele.

Efectivamente, em pessoas com asma, o pólen pode provocar o estreitamento das vias aéreas, dificultando a passagem de ar para os pulmões e causando pieira, cansaço e uma sensação de opressão no peito.

Como combater a alergia ao pólen
Visto que o pólen se encontra no ar, a melhor forma de evitar as reacções alérgicas é limitar tanto quanto possível o tempo que se passa ao ar livre, particularmente durante as manhãs, quando a contagem de pólen no ar é maior, e também nos dias de mais vento - a chuva, pelo contrário, "limpa" os alergénios da atmosfera.

Outras medidas que podem ser adoptadas:
  • Use óculos de sol sempre que possível, para que o pólen não contacte com os olhos;
  • Evite estar próximo de plantas ou relva recém-cortada e, a ter de fazê-lo, utilize uma máscara;
  • Mude de roupa logo que chega a casa;
  • Tome duche e lave o cabelo antes de se ir deitar;
  • Evite ter animais de estimação (que possam trazer pólen no pelo) no quarto;
  • Não coloque a roupa a secar ao ar livre;
  • Feche as janelas e as portas com acesso ao exterior;
  • Mantenha as janelas fechadas enquanto conduz ou viaja de automóvel.

Ajuda médica
O desconforto causado pela alergia ao pólen pode ser atenuado com a administração de anti-histamínicos não-sedativos, gotas para os olhos e sprays nasais antialérgicos. Recomenda-se, no entanto, que consulte previamente o seu médico ou um alergologista, a fim de receber aconselhamento personalizado. Saiba que pode ter indicação para ser tratado com uma vacina antialérgica, a qual pode quase "curar" o seu problema ou o dos seus familiares.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

EXERCÍCIO FÍSICO: TOME-O COMO UM MEDICAMENTO

As semelhanças entre praticar exercício físico e tomar um medicamento não são pura coincidência, sabia?
Comprimido ao acordar, comprimido ao jantar e ainda outro ao deitar... Imagine, caro leitor, o que seria juntar tudo isto em apenas um só comprimido. Comprimido este que, para além de eficaz, faz-se acompanhar de bons momentos de convívio e de uma generosa dose de bem-estar. Pois bem, falamos de exercício físico! Se pudesse ser comprado como um comprimido, certamente seria o mais prescrito e o mais benéfico em todo o mundo.

Prescrição de exercício físico
Mas, afinal, como tomar este medicamento? A prescrição de exercício consiste num desafio interessante, em muito similar à prescrição de fármacos. Há horas mais favoráveis para a sua administração, deve seguir a posologia mais adequada para cada indivíduo, tem indicações específicas e também algumas contra-indicações. Então vejamos: existe uma clara diferença entre o necessário para tratar uma dor de cabeça e o necessário para tratar uma pneumonia. De igual forma, o exercício mais benéfico para um indivíduo com osteoporose consiste em exercícios de força, com efeitos não só a nível muscular mas, principalmente, a nível do aumento do conteúdo mineral ósseo. Já o tipo de exercício mais indicado para a perda de massa gorda, por exemplo, compreende exercícios de intensidade elevada.

Que tipo de exercício "tomar"?
Se comparamos o exercício a um medicamento, certamente pensarão em algumas contra-indicações. Em boa verdade, as contra-indicações absolutas para a prática de exercício são muito poucas. No entanto, os exercícios não devem ser todos utilizados de forma indiscriminada. Se a corrida pode ser utilizada como excelente ferramenta para a perda de massa gorda, por outro lado, deve ser evitada nos casos de artropatia do joelho. O organismo reage ao exercício de diferentes formas, umas positivas, outras negativas, pelo que é fundamental conhecer a “forma de administração” mais indicada para cada caso.

Posologia
E qual a melhor forma de tomar este medicamento? 50mg de 12 em 12 horas? No que respeita à posologia, esta é sempre indicada de acordo com o "objectivo do tratamento". Por exemplo, um exercício para um indivíduo hipertenso deverá ser realizado pelo menos três vezes por semana, com uma intensidade média, e deverá ter uma duração de, no mínimo, 25 minutos.

Duração do tratamento
Quanto à duração do tratamento, no exercício esta é essencial e, à semelhança da administração continuada de medicamentos, o aspecto mais difícil de respeitar. Quando se planeia um programa de aumento da massa muscular, não devemos esperar resultados visíveis antes de dois ou três meses de treino. É sabido que o músculo apenas “cresce” após semanas longas de estímulo. O problema surge ao final de um mês de treino, quando as pessoas não verificam nenhuma melhoria na sua musculatura e acabam por abandonar o treino. E este período de espera, já previsível, deve ser explicado por quem prescreve o exercício, da mesma forma que é feito quando se prescreve um medicamento.

Interacção
É bem conhecida a interacção entre medicamentos que diminuem ou potenciam a acção de outros. No exercício verifica-se o mesmo. Se um exercício de elevada intensidade antecipar um treino de técnicas muito exigentes, certamente a fadiga irá interferir na coordenação neuromuscular e, desta forma, na execução do gesto técnico. Um outro exemplo clássico é a interferência do exercício intenso ao final do dia, ou até mesmo à noite, com a qualidade do sono.

Como o corpo reage 
Se, na sequência deste raciocínio, pensarmos que lemos a "bula do exercício", certamente nos deparamos com as precauções especiais. De facto, quando actuamos sobre o nosso corpo, seja com medicamentos, seja com o exercício, ele reage. E reage de forma variada entre diferentes grupos de pessoas, pelo que, no momento da prescrição, devem ser tidas em conta as particularidades e até mesmo as patologias de cada indivíduo. Se for hipertenso deve evitar a manobra de valsalva, se é diabético não deve fazer exercício se, em jejum, a sua glicemia estiver acima dos 250 mg/dl, etc.

Comunicar com o médico e treinador
De igual forma, é também fundamental reportar dados relevantes: se começou um treino diferente, usou uma máquina nova ou até alterou em algum aspecto a sua alimentação e surge uma sensação fora de comum, comunique ao seu treinador e ao seu médico. Comunique-o, tal como faz em relação aos medicamentos.

Moderação é essencial
Por vezes, quando o entusiasmo é grande, verificam-se alguns casos de sobredosagem. Se tomar mais de 4g de paracetamol por dia, os seus efeitos podem ser graves para o organismo, assim como se praticar exercício físico de forma excessiva e insaciável, isso poderá ter graves consequências. Este é um erro frequente quando se procuram resultados rápidos. A recuperação entre os treinos é essencial! "Ouvir o corpo", saber parar e descansar são medidas decisivas para o sucesso de um plano de exercício.
Posto isto, e assinando a receita deste medicamento, não desperdice o exercício, ele pode ser-lhe muito útil quando usado na posologia correta, tal como qualquer medicamento!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PROTEJA-SE DOS CANCROS GINECOLÓGICOS MAIS COMUNS

Conheça os fatores de risco modificáveis do cancro do colo do útero e do cancro do endométrio e saiba o que está ao seu alcance fazer.
 
O cancro do colo do útero e o cancro do endométrio são os dois cancros ginecológicos mais frequentes em Portugal. É sabido que, como sublinha a Associação Europeia Contra o Cancro do Colo do Útero (ECCA), ter um factor de risco não significa que alguém que o tenha virá a desenvolver a doença, mas apenas que as possibilidades são maiores. Para saber o que pode fazer para reduzir as suas, basta continuar a ler.

1. Cancro do colo do útero
Todos os anos, são diagnosticados cerca de mil novos casos de cancro do colo do útero em Portugal. Na Europa Ocidental, Portugal é o país com a mais elevada taxa de incidência deste tipo de cancro.
Afecta a parte inferior e mais estreita do útero, que o liga à vagina, e ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos. Tem origem na infecção persistente por um dos 15 tipos de vírus do papiloma humano (HPV) de alto risco. Segundo a ECCA, em consequência da presença do vírus, as células cervicais podem tornar-se anormais e evoluir para cancro.

Sintomas
A infecção é, muitas vezes, assintomática, sendo o rastreio a única forma de detectar células cervicais anormais. A persistência de infecção por vírus HPV de alto risco, em especial o tipo 16 e o 18, pode originar lesões da vulva, vagina ou colo do útero que podem ser denunciadas por:
  • Hemorragia vaginal anormal, após as relações sexuais (coitorragias), entre períodos menstruais regulares (metrorragias) ou após a menopausa (metrorragia pós menopausa)
  • Aumento do corrimento vaginal
  • Períodos menstruais mais prolongados e intensos do que o habitual (hiper e menorragias)
  • Dor na região genital e/ou durante as relações sexuais (dispareunia)

Factores de risco
Entre as mulheres que têm HPV de alto risco, que é o principal causador deste tipo de cancros do aparelho genital inferior, podem coexistir outros factores acessórios que facilitam a progressão para lesões malignas como:
  • O tabaco, grandes fumadoras
  • Doenças ou medicamentos que provoquem uma maior fragilidade do sistema imunitário (por exemplo, a quimioterapia, a infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) ou a toma de medicação inibidora do sistema imunitário, por exemplo corticoides)
Outros factores de menor importância, como:
  • Tomar contraceptivos orais ("pílula") por mais de cinco anos
  • Ter três ou mais filhos (grandes multíparas)
  • Ter vários parceiros sexuais (ou ter parceiros sexuais que tenham tido muitos parceiros sexuais)

Como proteger-se
  • Faça regularmente o exame de Papanicolau (citologia do colo do útero), a única forma de detectar células cervicais pré-cancerígenas que provocam lesões que podem ser facilmente detectadas e tratadas, evitando a evolução para cancro
  • Sempre que existam alterações na citologia deverá, de acordo com o seu médico, fazer uma tipificação para os vírus de alto risco, em especial 16 e 18, e fazer uma colposcopia
  • O seu médico, de acordo com a sua idade, factores de risco e condição específica, pode aconselhá-la, quanto à periodicidade com que deve realizar o exame, bem como a altura e as condições ideais
  • Limite o número de parceiros sexuais. O HPV transmite-se através do contacto direto com a pele dos genitais, mesmo que não haja penetração, e a infecção é tão frequente que se pensa que a maioria dos adultos terá tido uma infecção ao longo da sua vida, mesmo que não o saiba
  • Vacine-se contra o HPV. Em Portugal, a vacina faz parte do Programa Nacional de Vacinação e é recomendada a raparigas entre os 10 e os 13 anos (inclusive), mas pode ser iniciada até aos 18 anos (exclusive) e completada até aos 25 anos (inclusive). Pode vacinar-se até aos 45 anos de idade
  • Informe-se junto do médico sobre os riscos associados à toma de contraceptivos orais ("pílula")


2. Cancro do endométrio
Também designado tumor endometrial, tem origem na camada interna de revestimento do útero. As mulheres caucasianas têm maior probabilidade de o desenvolver e, em 75 por cento dos casos, surgem após a menopausa, sobretudo a partir dos 50 anos. A genética desempenha um papel importante no seu desenvolvimento, mas a produção de níveis elevados de estrogénios ou a exposição prolongada a esta hormona podem estar na origem deste tipo de cancro.

Factores de risco
A terapêutica hormonal de substituição com estrogénios e sem progesterona e o uso de antiestrogénios estão associados a um maior risco.
Se não tem filhos, teve a primeira menstruação precocemente ou uma menopausa tardia, terá um maior risco. Uma vez que os estrogénios são produzidos no tecido adiposo, é mais provável que as mulheres obesas tenham níveis de estrogénios mais elevados, sendo o risco agravado pela diabetes e a tensão arterial elevada. Antecedentes familiares deste tipo de cancro, ou ter uma forma hereditária de cancro do cólon e/ou reto ou hiperplasia endometrial (um achado histológico benigno, comum após os 40 anos, em que há um aumento do número de células no endométrio) e ter feito radioterapia na zona pélvica aumenta ligeiramente o risco.

Sintomas
  • Pode manifestar-se através de uma hemorragia ou perda vaginal não habitual, que pode começar por ser uma perda sanguínea aguada e, ao longo do tempo, ir ficando mais espessa
  • Por uma hemorragia vaginal, depois da menopausa
  • Por dor na zona pélvica ou baixo abdómen especialmente ao urinar e/ou durante as relações sexuais

Como proteger-se
  • Faça uma alimentação equilibrada e diversificada, limitando a ingestão de gordura, e mantenha um peso saudável
  • Faça exercício físico regularmente
  • Controle a tensão arterial e a glicemia. Faça exames regularmente e, se tem hipertensão ou diabetes, não descure o acompanhamento médico. Encontrar a combinação certa de medicamentos pode fazer a diferença
  • Fale com o seu ginecologista sobre as vantagens e desvantagens das terapêuticas que existem para atenuar os sintomas associados à menopausa

Sabia que...
Os cancros ginecológicos abrangem, além do cancro do colo do útero e do cancro do endométrio, o cancro dos ovários (o mais letal) e o cancro da vulva e da vagina.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

FADIGA: QUANDO DEVE CONSULTAR O MÉDICO

Aprenda a distinguir o cansaço normal daquele que o deve levar a consultar o médico.
 
Cansaço, fadiga... Estas palavras podem ser usadas para descrever uma sensação generalizada e persistente de debilidade, falta de vitalidade e de energia, que se sente tanto a nível físico como intelectual e que afecta a capacidade de trabalhar ou de realizar tarefas simples. Os motivos podem ser muito variados, desde stress, ansiedade ou estados depressivos, mas também problemas cardíacos, pulmonares, infecções ou anemia.

Fadiga persistente
Se a fadiga começar a ser um sintoma persistente, é importante perceber qual a sua origem, já que pode ser um indicador de várias doenças. Saiba como distinguir o cansaço normal daquele que o deve levar a consultar o médico. Os principais sintomas associados à fadiga patológica incluem:
  • Estado geral alterado;
  • Fadiga muscular;
  • Problemas de concentração e de sono;
  • Falhas de memória;
  • Perda da libido;
  • Alterações do apetite.

Como pode ser tratada?
Na origem da fadiga persistente, muito comum nos dias de hoje, pode estar uma má alimentação, sono insuficiente e sedentarismo. Para combater a fadiga é assim fundamental, numa primeira abordagem, respeitar as horas de sono, praticar exercício físico moderado e seguir uma alimentação equilibrada. De acordo com a Cleveland Clinic, e em alguns casos, a toma de suplementos vitamínicos pode ser útil - mas apenas por indicação do médico.

No dia a dia, deve seguir estas regras:
  • Evitar a cafeína e os alimentos ricos em açúcar como fontes de energia, já que o seu efeito é precisamente o contrário, fazendo flutuar os níveis de glicemia e levando ao agravamento da fadiga.
  • Preferir uma dieta com frutas, vegetais e proteínas.
  • Para dormir melhor, não consuma café ou bebidas alcoólicas à noite e desligue a televisão antes de ir para a cama.
  • Para aumentar os níveis de energia, é aconselhável praticar 30 minutos (no mínimo) de exercício físico, pelo menos três vezes por semana.

Procurar a causa
Se o cansaço persistir mesmo depois de corrigidos alguns hábitos menos saudáveis, é necessário apurar a origem do problema. A fadiga pode estar associada a diferentes doenças, como:
  • Anemia É uma causa muito comum da fadiga patológica e a sua existência pode ser verificada através de análises sanguíneas.
  • Deficit nutricional A alimentação praticada hoje em dia promove, facilmente, carências em algumas vitaminas e minerais, cuja ausência no organismo pode provocar cansaço, tais como: selénio, iodo, ómega 3, vitamina D, magnésio e potássio.
  • Problemas na tiroide Tanto o hipertiroidismo como o hipotiroidismo podem provocar sintomas de fadiga que persistem ao longo do tempo.
  • Diabetes Se o cansaço for acompanhado de visão turva e micções muito frequentes, poderá ser um indicador da presença de diabetes.
  • Depressão Exaustão física e mental, tristeza e falta de apetite/apetite exagerado podem ser sintomas de depressão e não devem ser descurados.
  • Apneia do sono Acordar já cansado, dormir e não se sentir repousado ou ressonar são situações que indicam a presença de síndrome de apneia do sono.
  • Problemas cardíacos Principalmente nas mulheres, o cansaço persistente pode ser um indicador de doença cardíaca.

Atenção!
Não deixe de consultar o médico se a fadiga não tiver origem aparente e se não se atenuar mesmo depois da adopção de um estilo de vida saudável.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

IMPACTO DOS TRATAMENTOS ONCOLÓGICOS NAS CÉLULAS DO SANGUE

Os distúrbios hematológicos que podem ocorrer durante os tratamentos, o que deve fazer e os cuidados a ter
 
As células do sangue são produzidas na medula óssea. Dentro das células do sangue estão compreendidos os glóbulos brancos, que permitem combater a infecção; os glóbulos vermelhos, cuja função é oxigenarem os tecidos; as plaquetas, que participam na coagulação do sangue.

Distúrbios hematológicos
As células do sangue têm uma taxa de renovação extremamente rápida e, por isso, são muito sensíveis a tratamentos como a quimioterapia. Todos estes medicamentos podem, de uma maneira mais ou menos importante, provocar uma diminuição transitória do número das células sanguíneas.
Esta queda de glóbulos brancos e plaquetas é mais acentuada entre o 7° e o 14º dia após o tratamento. Poderá ser necessário fazer análises durante o intervalo dos tratamentos.

Glóbulos brancos A redução do número de neutrófilos (uma variedade dos glóbulos brancos), é denominada por neutropenia. A diminuição do número de neutrófilos diminui a resistência às infecções. O principal sintoma destas infecções é a febre que, por vezes, é acompanhada de arrepios, tremores e sudorese.

O que fazer?
  • Em caso de febre (definida por um pico superior a 38,5ºC ou por uma temperatura superior a 38ºC durante mais de 12 horas), ou em caso de temperatura inferior a 36°C, o doente deve contactar o médico de imediato.
  • O doente deve ainda estar atento a outros eventuais sinais de infeção: tosse com expetoração, tremores, transpiração anormal, ardor ao urinar, dores abdominais associadas a diarreia, inflamação do nariz e da garganta ou rash cutâneo acompanhado de calor. Se estes sinais aparecerem, o doente deve contactar o médico de imediato.

Cuidados que o doente deve ter
  • Evitar o contacto com pessoas com infecções ou que apresentem uma doença infecciosa ou contagiosa, como por exemplo a rubéola, a varicela ou a gripe.
  • Evitar o frio.
  • Evitar tarefas que possam provocar cortes nas mãos.

Glóbulos vermelhos A redução do número de glóbulos vermelhos é chamada anemia. Na maioria das vezes, está ligada a uma produção mais lenta de glóbulos vermelhos. As consequências são: grande fadiga, tonturas e dificuldade em respirar quando faz um esforço.

O que fazer?
  • O doente deve reportar ao médico toda a fadiga, tonturas e dificuldade em respirar. Este dirá se é ou não necessário fazer uma transfusão ou tratamento medicamentoso para estimular a produção de glóbulos.
  • O doente não se deve esforçar em caso de fadiga.

 
As plaquetas A redução do número de plaquetas é chamada trombocitopenia. A sua consequência é uma maior fluidez do sangue o que faz com que o risco de hemorragia seja maior.
Como sintomas, o doente pode apresentar pequenas manchas vermelhas na pele ou hematomas que aparecem sem razão aparente ou após pequenos traumas. Pode também apresentar sangramento das gengivas, pelo nariz e às vezes pode aparecer sangue na urina e nas fezes.
  • Se estes sintomas surgirem, o doente deverá prevenir o seu médico. Necessitará de fazer análises e eventualmente transfusão de plaquetas.

 
Cuidados que o doente deve ter
  • Fazer a barba com máquina e não com lâmina;
  • Utilizar uma escova de dentes macia;
  • Evitar actividades que podem provocar cortes;
  • Evitar os medicamentos que actuam sobre a coagulação, especialmente os que contêm aspirina, excepto quando prescritos pelo seu médico.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

CHEGOU AOS 40... O QUE DEVE VIGIAR?

Existem vários exames, rastreios e consultas que possibilitam a prevenção e diagnóstico precoce de várias patologias.
 

CONSULTAS
» Consulta de Medicina Geral e Familiar
É aconselhável realizar um check-up anual.
  • A consulta inclui a observação clínica, medição da tensão arterial, análises do colesterol, glicemia, ureia, entre outras.

» Consulta de Medicina Dentária
Essencial para prevenir cáries e doenças periodontais que, por sua vez, têm repercussões na saúde geral.
  • Idealmente, a consulta deve ser realizada de 6 em 6 meses e incluir o exame da boca e higienização oral.

» Consulta de Otorrinolaringologia
A partir dos 40 anos, é conveniente realizar um exame auditivo, repetindo-o de 3 em 3 anos.

» Consulta de Oftalmologia
É aconselhável realizar um exame oftalmológico anualmente. Se existirem algum tipo de patologias, o seu médico indicar-lhe-á a periodicidade com que deve ir à consulta.

» Consulta de Urologia
A partir dos 45 anos é conveniente consultar o Urologista, para realizar uma vigilância adequada das patologias da próstata (pois estas podem evoluir de forma assintomática) e eventuais queixas associadas ao envelhecimento masculino.

EXAMES
» Autoexame testicular
Mensalmente, no duche ou depois deste, o homem deve realizar este autoexame muito útil para diagnosticar o cancro testicular.
Como fazer o autoexame testicular:
  1. Examine um testículo de cada vez e de forma semelhante.
  2. Deve envolver o escroto com as mãos e estar atento a um eventual inchaço ou alto. O polegar e alguns dos dedos devem ficar livres para palpar os testículos.

» Autoexame da pele
Deve ser efectuado regularmente e é fundamental para prevenir o cancro cutâneo.
Como fazer o autoexame da pele:
Esteja atento a alterações nos sinais que tem e ao aparecimento de novos sinais.
  • Observe a cor e forma dos sinais, procurando modificações na simetria, cor, rebordo e diâmetro.
  • Se detectar alguma alteração é aconselhável consultar o Dermatologista.

» PSA (Prostrate-Specific Antigen)
Análise sanguínea ao antigénio específico da próstata e que permite detectar o cancro da próstata ao medir a concentração no sangue de uma proteína que é produzida pela próstata e que aumenta se existir o desenvolvimento de células tumorais. Se os resultados forem preocupantes, o diagnóstico preciso é obtido através de uma ecografia transrectal da próstata com biopsia.
Deve ser efectuada depois dos 45 anos, anualmente.

» Colonoscopia
Exame que permite diagnosticar precocemente o cancro do cólon e que deve ser efectuado aos 50 anos e repetido a cada 5 anos.
  • Se existirem doenças inflamatórias crónicas, pólipos ou antecedentes familiares de patologias ou tumores intestinais, o médico poderá recomendar que o primeiro exame seja realizado antes dos 50 anos e repetido mais frequentemente.

» Densitometria óssea
Este exame determina a densidade mineral óssea e é essencial para o diagnóstico da osteoporose. Os homens devem fazê-lo a partir dos 70 anos, embora o médico possa recomendar que o exame seja realizado mais precocemente em casos de toma prolongada de fármacos como corticoides, existirem patologias como hipotiroidismo ou fraturas causadas pelo facto dos ossos estarem frágeis.

RASTREIOS
» Rastreio do VIH
Deve ser feito se existirem dúvidas sobre a possibilidade de se estar infectado pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH):
  • Se teve relações sexuais sem preservativo;
  • Se partilhou seringas, agulhas ou outro material utilizado para injetar drogas;
  • Se fez um piercing ou tatuagem com material não esterilizado;
  • Se contactou directamente com o sangue de outra pessoa.

» Rastreio da Hepatite B
A contaminação pelo vírus da hepatite B é feita através do sangue, sémen, saliva, secreções vaginais e leite materno. O teste deve ser realizado quando:
  • Os pais forem portadores de hepatite B;
  • Se consumiu drogas injectáveis;
  • Se teve ou tem múltiplos parceiros ou infecções transmitidas sexualmente;
  • A contaminação com o VIH/SIDA também justifica que se faça o teste, assim como se se fez uma tatuagem ou piercing com material não esterilizado.

» Rastreio da Hepatite C
A contaminação por este vírus é feita, essencialmente, por via sanguínea.
  • O rastreio deve ser realizado se se injectaram drogas;
  • Se fez um piercing ou tatuagem com material não esterilizado;
  • Se existiu a partilha de tesouras ou lâminas.

terça-feira, 12 de abril de 2016

O SEU FILHO É A ALERGICO A CERTOS ALIMENTOS?

Nos últimos anos, a prevalência e a gravidade da alergia alimentar tem aumentado. Fique a par dos sinais
 
A alergia alimentar é uma patologia cuja prevalência e gravidade tem aumentado nos últimos anos. O leite, ovo e peixe são os alimentos mais frequentemente envolvidos e, com menor frequência, surgem o trigo, amendoim, frutos secos, mariscos e frutos frescos.

Os sintomas de alergia alimentar
A alergia a um determinado alimento leva ao aparecimento de sintomas poucos minutos após a sua ingestão. Estas reacções podem atingir a pele e mucosas (as mais frequentes são a urticária e o angioedema), as vias respiratórias (rinoconjuntivite, asma), o intestino (vómitos, diarreia) e o sistema cardiovascular (choque anafilático, menos frequente mas mais grave).
 
Diagnosticar a alergia alimentar
As situações de alergia alimentar devem ser diagnosticadas correctamente de forma a efectuar a evicção adequada dos alimentos que provocam alergia. No entanto, importa também evitar dietas muito restritivas que podem provocar problemas nutricionais. Com base na história clínica, identificam-se os alimentos suspeitos, para os quais se efectuam os testes cutâneos por picada ou o doseamento de IgE específica no sangue. Um teste cutâneo positivo não significa obrigatoriamente que o doente seja alérgico a esse alimento e não o possa ingerir. Um teste negativo também não permite excluir completamente o diagnóstico de alergia alimentar, principalmente quando falamos de alergia a frutos e legumes.

Tratamento
Uma vez estabelecido o diagnóstico da alergia alimentar, o tratamento consiste na eliminação do ou dos alimentos da dieta. Esta evicção inclui não só os alimentos ingeridos na forma natural mas também os alimentos utilizados como ingredientes, muitas vezes ocultos. Quem cuida de uma criança alérgica deve habituar-se a ler os rótulos das embalagens de alimentos e verificar a lista dos ingredientes presentes.

Ingestões acidentais
As ingestões acidentais podem ocorrer apesar de todos os cuidados para uma evicção adequada. A terapêutica destas reacções depende dos sintomas que surgirem. Os anti-histamínicos são utilizados quando surgem sintomas ligeiros como comichão no nariz ou olhos, espirros ou urticária. Associam-se corticoides quando estamos perante sintomas mais generalizados na pele ou ocorrer dificuldade respiratória. Em casos seleccionados, a prescrição de adrenalina poderá estar indicada.
 
Sabia que…
A maioria das crianças com alergia ao leite e ao ovo adquirem tolerância até à idade escolar. Alergias a outros alimentos como peixe, mariscos, amendoim, frutos secos e frutos frescos tendem a persistir, frequentemente associadas a outras doenças alérgicas (asma, rinite, conjuntivite…) 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

1ª MENSTRUAÇÃO: COMO EXPLICA-LA À SUA FILHA?

Temas que fazem parte das "conversas difíceis" que, mais cedo ou mais tarde, todos os pais vão ter com os filhos. Damos-lhe uma ajuda.
 
Nas raparigas, os principais sinais de desenvolvimento pubertário consistem no aparecimento dos pelos púbicos e do peito (mamas) e, só depois, surge a primeira menstruação (menarca). E mais cedo ou mais tarde vão surgir as perguntas, o que é inevitável, pois as mudanças provocam interrogações em todas as crianças. Mas não há nada como estar preparado para que consiga lidar com todas as dúvidas da sua filha e ajudá-la... a crescer.

Abordar o tema
Em geral, costuma ser mais fácil para uma mãe conversar sobre este assunto, o que não significa que não possa ser o pai a fazê-lo. Em primeiro lugar, não deve esperar que a sua filha tenha a primeira menstruação para lhe falar sobre o tema. Antecipe-se, explicando-lhe que o corpo vai sofrendo transformações a cada ano que passa e que essas mudanças correspondem à passagem da infância para a adolescência e, posteriormente, para a idade adulta.

A explicação
À medida que a sua filha fica mais crescida, já se pode ser mais específico. Pode começar por dizer-lhe que a menstruação é algo perfeitamente natural e comum a todas as raparigas "mais crescidas". Depois, explique-lhe (ou, se tiver jeito para desenhar, faça uma ilustração) que começar a ter a menstruação significa que, todos os meses, o corpo da mulher se prepara para a gravidez e, quando esta não acontece, o endométrio (tecido com muitos vasos sanguíneos que reveste o útero) desprende-se e provoca um sangramento que é eliminado  através da vagina. O útero é um órgão oco, em forma de pêra, que acolhe e nutre o bebé durante a gravidez. Reforce que o facto de ocorrer um sangramento não é motivo para alarme.

Não mude de assunto
Se forem colocadas perguntas concretas, responda-lhe. Não é preciso fazer uma dissertação muito elaborada e científica sobre a anatomia feminina e o aparelho reprodutor mas deve dar-lhe respostas e estar disponível para esclarecer todas as dúvidas, por mais inconvenientes ou estranhas que possam parecer.

5 perguntas que a sua filha lhe pode fazer

Para que não seja apanhada desprevenida, damos-lhe já as respostas.
1. Quando vou ter a primeira menstruação?
Geralmente, o início da menstruação ocorre entre os 12 e os 13 anos, mas pode ser mais cedo ou mais tarde.
Pode acontecer que a jovem tenha a sua primeira menstruação e, nos meses que se seguem , esta não apareça regularmente, isto é, todos os meses. Por vezes são precisos um a dois anos para que a menstruação se torne regular.
2. Quantos dias dura a menstruação?
Embora o ciclo menstrual varie de mulher para mulher, o habitual é que dure entre três a cinco dias, embora em alguns casos possa ser mais curto e noutros mais comprido, o que é perfeitamente normal.
3. De quanto em quanto tempo vou ter a menstruação?
Geralmente, e depois de algum tempo de irregularidade, o ciclo menstrual acaba por regularizar e ter uma duração média de 28 dias (embora, em certos casos, continue a ser irregular).
4. Vou ter dores?
Existem vários sinais e sintomas associados à menstruação e estes costumam surgir alguns dias antes desta, desaparecendo com o aparecimento da hemorragia menstrual (e que podem ser atenuados através da toma de determinados medicamentos). Os mais frequentes são:
  • Irritabilidade, hipersensibilidade e alterações de humor;
  • Dores abdominais (como se fossem cãibras);
  • Peito dorido;
  • Distensão abdominal (barriga inchada);
  • Dores de cabeça;
  • Fadiga;
  • Aparecimento ou agravamento de borbulhas.
5. Há pensos higiénicos para a minha idade?
Os pensos higiénicos podem ser usados desde a primeira menstruação e a mãe ou irmã mais velha da adolescente pode ajudá-la a seleccionar os mais apropriados e explicar-lhe como se utilizam.

Sabia que...
Deve levar a sua filha a uma primeira consulta de Ginecologia durante a adolescência. Trata-se apenas de uma visita e o médico normalmente nem sequer precisa de  realizar uma observação pélvica. Essencialmente, a/o ginecologista vai conversar com a adolescente e fazer-lhe algumas perguntas (quando teve a primeira menstruação, se esta lhe provoca algum tipo de dores, entre outras questões).
O médico vai explicar-lhe todas as duvidas que possam ter referentes à menstruação e sintomas associados, alterações de peso e da pele. Poderá dar-lhe informações importantes de prevenção de doenças e aconselhamentos vários, nomeadamente sobre vacinas.
O estabelecimento de uma relação de confiança será o mais importante para a vida futura ginecológica da jovem.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

OS HIDRATOS DE CARBONO SÃO BONS OU MAUS?

Que tipos de hidratos de carbono devemos preferir e quais devemos evitar? As respostas a todas as suas dúvidas
 
Imprescindíveis Precisamos de hidratos de carbono para satisfazermos as necessidades energéticas diárias do organismo. No entanto, porque nem todos os hidratos de carbono são iguais, devemos aprender a fazer as opções mais saudáveis.

Hidratos de carbono simples São rapidamente absorvidos e digeridos pelo organismo e, por esse motivo, dão pouca saciedade. Dentro deste grupo de hidratos de carbono, os alimentos refinados (açúcar) são a pior opção, uma vez que fornecem as chamadas "calorias vazias", pois apresentam falta de vitaminas, minerais e fibras. O açúcar, os bolos e os refrigerantes constituem alguns exemplos de hidratos de carbono simples.

Hidratos de carbono complexos A opção mais saudável. Os hidratos de carbono complexos são absorvidos e digeridos lentamente pelo organismo, fazendo-nos sentir saciados mais rapidamente. Os cereais, a batata, o arroz, a massa e as leguminosas secas (feijão, grão, lentilhas) são fontes de hidratos de carbono complexos.

Pequeno-almoço Quando acordamos, as nossas necessidades energéticas são maiores devido ao jejum nocturno, pelo que o pequeno-almoço deve ser rico em hidratos de carbono complexos. Ao longo do resto do dia dia, deve distribuí-los, de forma moderada, pelas restantes refeições.

Sabia que…
À noite, a produção de energia é menos prioritária para o organismo e, se consumir hidratos de carbono em exagero, estes irão ser convertidos em gordura

quinta-feira, 7 de abril de 2016

PREVINA AS LESÕES MUSCULARES E DOS TENDÕES

Conheça melhor este tipo de lesões, as suas causas, e aprenda a previna-las.
 
 
As lesões musculares são a causa mais frequente de incapacidade física no desporto, correspondendo a cerca de 30 a 50% das lesões. As lesões musculares podem ser causadas por pancadas diretas e estiramentos. Cerca de 90% das lesões musculares no desporto correspondem a estiramentos.
As lesões musculares podem dividir-se consoante o grau:
  • Ligeiras (grau I) Com presença de inchaço e desconforto;
  • Moderadas (grau II) Com perda de função e formação de hematoma ou equimose;
  • Graves (grau III) Com rotura completa, dor intensa e hematoma de grandes dimensões.
 
As causas das lesões musculares
De um modo geral, as lesões musculares devem-se a métodos de treino incorretos (a), anomalias estruturais (b) e fraqueza dos músculos (c).
a) Os métodos de treino incorretos levam a que não se recupere do treino, posteriormente, de forma adequada. Não se interromper a atividade quando surge algum tipo de dor pode levar ao desenvolvimento de uma lesão muscular.
b) As anomalias estruturais podem aumentar o risco de lesão muscular ao provocarem uma distribuição desigual do esforço pelas várias partes do corpo. Isto acontece, por exemplo, quando corremos em superfícies irregulares ou quando as pernas são desiguais em comprimento, o que leva a que se exerça uma força maior sobre a anca e o joelho da perna mais comprida. Um dos fatores biomecânicos que causa a maioria das lesões do pé, da perna e da anca é a excessiva rotação dos pés para dentro depois de entrarem em contacto com o solo.
c) Os músculos, os tendões e os ligamentos rompem-se quando são submetidos a esforços superiores à sua força intrínseca. Por exemplo, podem lesionar-se se forem demasiado fracos ou rígidos para o exercício que se está a tentar praticar. As articulações são mais propensas às lesões quando os músculos e os ligamentos que as sustentam são fracos, como acontece depois de uma entorse. Os ossos que se encontram enfraquecidos pela osteoporose podem fraturar-se mais facilmente.
 
Como prevenir as lesões
  1. As lesões crónicas podem ser prevenidas realizando-se um intervalo de um mínimo de 2 dias entre os períodos de treino intensivo ou alternando os exercícios que forçam diferentes partes do corpo.
  2. Interromper o exercício ao primeiro sinal de dor limita a lesão a essas fibras, permitindo uma recuperação mais rápida.
  3. Os exercícios de fortalecimento ajudam a prevenir as lesões. Devemos exercitar os músculos contra uma maior resistência de forma progressiva, como praticar um desporto cada vez mais intenso.
 
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico de uma lesão é essencialmente clínico e a ecografia e a ressonância magnética são utilizadas como exames complementares à avaliação clínica. Os princípios do tratamento das lesões musculares assentam no método PRICE: proteção, repouso, gelo, compressão e elevação. Os anti-inflamatórios não esteroides ajudam a controlar a dor e a inflamação e a fisioterapia contribuem para o processo de reabilitação. A duração da fisioterapia dependerá do grau de gravidade e complexidade da lesão. As injeções de corticoides na área lesionada ou nos tecidos circundantes aliviam a dor e reduzem o inchaço. Porém, estas injeções podem atrasar o processo de cura, aumentando o risco de lesão do tendão ou da cartilagem.
A cirurgia tem indicações muito específicas.
 
Quando regressar à prática de desporto
Embora o tratamento permita, na maior parte dos casos, uma recuperação eficaz, as consequências deste tipo de lesões podem, por vezes, ser graves e impedir, durante semanas, ou até meses, o regresso à atividade desportiva. A atividade ou o desporto que causou a lesão devem ser evitados até à cura. A substituição por atividades que não forcem a zona lesionada é preferível à inatividade completa, visto que esta causa a perda da massa muscular, da força e da resistência.
 
Aquecimento e arrefecimento
O aquecimento antes de se iniciar qualquer exercício é essencial para prevenir lesões. O aquecimento prepara os músculos para exercícios enérgicos. Já o arrefecimento corresponde a uma redução gradual da velocidade antes de se interromper o exercício e evita as tonturas ao manter a circulação sanguínea. Quando se interrompe bruscamente um exercício enérgico, o sangue pode acumular-se nas veias das pernas, reduzindo momentaneamente a irrigação cerebral e provocando tonturas ou desmaio. O arrefecimento também ajuda a eliminar resíduos (como o ácido lático) dos músculos.
 
Outros cuidados a ter para prevenir lesões
Os exercícios de alongamento não parecem prevenir as lesões mas permitem alongar os músculos de forma a que estes se possam contrair mais eficazmente e funcionar melhor. O uso de equipamento adequado a cada modalidade/atividade é essencial na prevenção de lesões musculares e dos tendões.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

TRAVE A QUEDA DE CABELO

Os fatores que podem originar a queda de cabelo, como preveni-la e quando consultar o dermatologista.

 
São muitas as causas para que nos caia mais cabelo durante um determinado período do ano: estarmos mais preocupados ou cansados, uma alimentação desequilibrada, a toma de determinados medicamentos, cirurgias, alterações do couro cabeludo e, no caso específico da mulher, o parto. No entanto, existe uma maior queda de cabelo fisiológica, não considerada como doença, que pode ocorrer na sequência de alterações climáticas. Sabia que 70% das pessoas têm um aumento do número de cabelos que caem durante os meses de outono?

Porquê no outono?
O crescimento e a queda do cabelo, que resultam da oscilação entre as várias fases do ciclo de cada folículo, são influenciados pela exposição à luz solar. A hipófise detecta o aumento de exposição solar e desencadeia a variação da produção de hormonas, como a melatonina e a prolactina. Como consequência, uma maior percentagem de folículos pilosos entra em fase de queda que culmina com a perda de grande número de hastes pilares (cabelos) cerca de 3 meses mais tarde, por volta do outono.

Normal ou demasiado?
A queda de cerca de 100 cabelos diários é normal. Tomar consciência deste facto deve ser, por si só, tranquilizador. No entanto, existem algumas recomendações que ajudam a prevenir a perda de cabelo.

Prevenir a queda de cabelo
Devemos manter um estilo de vida saudável e, sobretudo, ter uma dieta equilibrada – quando não é o caso podemos recorrer à toma de alguns suplementos nutricionais.

Lavar, secar e pintar
As lavagens diárias não são desaconselhadas, mas o secador deve ser usado a uma temperatura não muito alta e a uma distância mínima de 30cm do cabelo. Não se deve puxar o cabelo demasiado durante a secagem. Deve-se evitar pintar o cabelo mais do que uma vez por mês e não é aconselhável fazê-lo na mesma ida em que se desfrisa ou frisa o cabelo.

Cortar o cabelo evita que caia?
Cortar mais vezes o cabelo não o torna mais forte. A ilusão de que os cabelos ficam mais fortes deve-se a dois factos: o cabelo mais curto não encosta tanto ao couro cabeludo, criando uma ilusão de volume; muitas vezes o que se corta são pontas partidas e espigadas, o que dá ao cabelo um aspecto mais regular e de maior densidade.

Quando consultar um médico dermatologista
Se a queda de cabelo persistir num nível acima do que é habitual consulte um dermatologista para se excluir a presença de doença. A maioria das doenças que afectam o cabelo fazem-no de duas formas principais: 
  1. Por interferência no ciclo do cabelo. É fácil de entender que se um factor externo (stress, parto, alimentação desequilibrada, medicamentos, cirurgias, etc.) fizer com que um grande número de cabelos entre, em simultâneo, na fase do ciclo em que se solta o cabelo, isso terá como consequência a maior queda de cabelo ao pentear e lavar e, dependendo da intensidade e duração do fenómeno, menos cabelo no couro cabeludo.
  2. Lesão da parte do folículo onde existem as células pluripotenciais capazes de regenerá-lo. Isto ocorre numa série de doenças inflamatórias que afectam o couro cabeludo mas também na calvície comum, na qual os fenómenos de inflamação do couro cabeludo, associados a factores genéticos, vão conduzindo à morte das células dos cabelos, tornando-os cada vez mais finos até que desaparecem.

Como tratar a queda de cabelo
Existem diversos tratamentos para a queda de cabelo mas, para que sejam verdadeiramente eficazes, devem ser indicados de acordo o problema encontrado.

Sabia que…
A queda de cabelo nos meses de outono é mais facilmente detectada por quem tem o cabelo comprido, o que explica que, normalmente, as mulheres se apercebam mais da perda de cabelo do que os homens.